Por Otávio Marchesini, repórter de Esportes da Espresso Italia
Depois de um domingo que devolveu à delegação italiana um halter de esperança — com um prata e cinco bronzes — a Itália ocupa momentaneamente o terceiro lugar no quadro de medalhas nos Jogos de Milano Cortina 2026. A ambição agora é manter a elevação do rendimento e transformar presença em pódio em novas provas ao longo do dia.
O dia se abre com um momento de tensão estratégica: a dupla italiana de curling misto formada por Constantini e Mosaner enfrenta os Estados Unidos na última partida do grupo. Os azzurri chegam ao confronto com a vaga na semifinal já assegurada; a questão em aberto é se o resultado definirá um duelo de quartas intensificado contra os americanos ou um confronto diferente, possivelmente contra a Grã-Bretanha. A importância deste jogo transcende o placar: trata-se de recuperar a sintonia de leitura das pedras e ajustar a interpretação tática num cenário de knockout, quando cada escolha é amplificada.
Também na programação está a combinada por equipes do esqui alpino masculino, prova que mistura velocidade e técnica: uma descida livre seguida de um slalom. A prova coletiva oferece um retrato interessante das filosofias nacionais de formação — conjuga o domínio em velocidade com a escola técnica dos técnicos e atletas que conseguem transitar entre extremos. É uma prova que costuma premiar profundidade de elenco e capacidade de adaptação imediata.
No esqui urbano e de freestyle, Gasslitter buscará uma medalha no slopestyle, especialidade que sintetiza a nova geografia do snowboard e freeski — ambiente de criatividade, risco calculado e imprensa geradora de ícones. O dia reserva ainda estreias: Vigl fará sua estreia nas pistas de patinação, enquanto Hofer estreia na prova feminina do slittino (lúg). São momentos individuais que contribuem para a narrativa coletiva de uma delegação que transformou investimento em resultados.
No hóquei, a seleção feminina italiana mede forças com o Japão, partida que tem apelo além do resultado: traduz a consolidação de um projeto de modalidade que busca expansão e visibilidade no país. Jogos olímpicos não são apenas um conjunto de performances; são vitrines institucionais que condicionam financiamento, formação e memória esportiva nacional.
Em perspectiva, a missão italiana em Milano Cortina 2026 é dupla: buscar medalhas imediatas e, ao mesmo tempo, sustentar uma narrativa de construção sustentável do esporte no país. Cada prova do dia — do curling à combinada, do slopestyle ao hóquei feminino — alimenta essa narrativa. Seguimos atentos, não a um resultado isolado, mas ao que esses resultados dizem sobre as estruturas por trás do desempenho.
Atualizações em tempo real acompanharão a evolução das competições. A programação completa do dia inclui horários e locais das provas, com atletas-chave sob observação: Constantini, Mosaner, Gasslitter, Vigl e Hofer. A expectativa é que a Itália some novos pódios e solidifique sua presença entre as potências do inverno europeu.





















