Por Chiara Lombardi — Em um halftime show que funcionou como um espelho do nosso tempo, Bad Bunny entregou 13 minutos de espetáculo que queimaram as expectativas do Super Bowl. Com uma linguagem performática que mistura celebração, afirmação identitária e showbiz global, o artista trouxe ao palco não só convidados de peso, mas um roteiro afetivo que colocou Porto Rico e toda a América Latina no centro do palco.
Ao longo da apresentação, Bad Bunny intercalou momentos de puro entretenimento com gestos de pertencimento: uma grande parada de bandeiras cruzou o palco, exibindo nações do Norte, Centro e Sul do continente — entre elas Uruguai, Colômbia, Venezuela, Cuba, Estados Unidos e Canadá. O artista também pronunciou poucas frases em inglês, incluindo um forte “Deus abençoe a América!” perto do final, e fechou com a declaração emocional “Mi Patria Puerto Rico, seguimos aquí“, traduzível para “Minha pátria, Porto Rico, seguimos aqui” — uma afirmação política e afetiva que reverberou além do jogo.
O desfile de estrelas que subiram ao palco ampliou a tessitura cultural do show: além de nomes esperados, Lady Gaga e Ricky Martin marcaram presença, enquanto aparições de Cardi B, Jessica Alba e Pedro Pascal reforçaram a dimensão transatlântica do espetáculo. Cada convidado funcionou como um espelho de referências — celebridade que se alia a identidade, celebrando uma cena pop que é também um mapa de diásporas.
Em termos de narrativa cênica, os 13 minutos foram um exercício de economia dramática: coreografias incisivas, trocas rápidas de figurinos e uma direção de palco que dialogou com a semiótica do viral. O resultado foi uma sensação de plenitude fragmentada — momentos curtos, potentes, que se agregam até formar um painel mais amplo sobre representação e visibilidade cultural.
Fora do campo, durante os intervalos comerciais do jogo, circulou também o trailer de The Adventures of Cliff Booth, anunciado como um projeto da Netflix que retoma a figura interpretada por Brad Pitt em C’era una volta a Hollywood, agora sob a direção de David Fincher. Uma sinalização interessante do ecossistema audiovisual: enquanto o palco do Super Bowl celebra identidades coletivas, a indústria reinventa narrativas consolidadas para novos públicos.
O halftime show de Bad Bunny atuou, assim, como um pequeno filme pop ao vivo — um roteiro oculto da sociedade que mistura festa e pauta política. Não foi apenas uma performance; foi um momento de reframing cultural, onde o entretenimento se mostra também como arena de afirmação e memória.




















