Rosanna Banfi retorna ao centro do espelho público junto ao pai, o ator Lino Banfi, para contar um capítulo de resistência e renovação. Neste domingo, 8 de fevereiro, pai e filha serão recebido no sofá de Verissimo, acompanhados pela neta Virginia e pela pequena bisneta Matilde, numa imagem que mistura família e espetáculo — o tipo de cena que diz muito sobre o roteiro oculto da nossa vida pública.
A atriz, já presença no programa em 14 de dezembro, volta para relatar a vitória sobre um novo diagnóstico: trata-se da segunda vez que Rosanna enfrenta um tumor, 16 anos depois do primeiro episódio, quando, em 2009, foi diagnosticada com câncer de mama. A trajetória recente começou com uma tomografia realizada em julho, que revelou uma mancha no pulmão.
Na narrativa que constrói com clareza e emoção, Rosanna explicou que, inicialmente, havia dúvidas — poderia ser uma infecção, uma consequência de covid ou, na pior das hipóteses, um tumor. A tosse persistente manteve o sinal de alerta ligado. A próxima consulta estava agendada apenas para outubro, mas, preocupada, ela retornou ao médico em setembro. Após avaliação, optou-se pela cirurgia: o diagnóstico confirmou a presença de um tumor maligno, pequeno — cerca de 7 a 8 milímetros — e, felizmente, sem comprometimento dos linfonodos.
Hoje, com o procedimento concluído, resta o acompanhamento: exames trimestrais para monitorar a recuperação. Rosanna descreve a sensação de alívio como “tirar um peso e um pensamento devastante”. Houve também o momento íntimo, pós-hospital, em que a atriz se deixou vulnerável diante do marido, Fabio: entre lágrimas, disse-lhe se ele se arrependera — “é a segunda vez, estou falhada” — e ele respondeu com uma frase que ressoa como uma cena bem escrita de cinema: “Você é a minha vida”.
Como observadora cultural, não posso deixar de perceber que essa aparição pública é mais que um relato médico: é um refrão sobre memória, identidade e a maneira como projetamos nossa fragilidade no palco social. A presença de Lino Banfi ao lado da filha — e das gerações seguintes, Virginia e Matilde — cria uma imagem simbólica poderosa: o elenco íntimo que resiste ao drama e transforma trauma em narrativa coletiva.
No contexto do entretenimento contemporâneo, onde a exposição se confunde com terapia coletiva, a história de Rosanna funciona como um espelho do nosso tempo. É também um lembrete da importância dos exames regulares, da escuta médica proativa e do papel da rede familiar como coadjuvante essencial na recuperação. Verissimo, neste domingo, promete não apenas informação, mas um exercício de empatia pública — a semiótica do viral aplicada à coragem cotidiana.
Para quem acompanha a trajetória dos Banfi, a entrevista é um convite a olhar além da celebridade: entender como o corpo e a memória se entrelaçam no roteiro da vida. E, como em um bom filme, o que permanece é a cena final que escolhemos viver — de luta, de afeto, de reinvenção.






















