Na apresentação da instalação The Impossible Gym em Milão, o clima lembrava uma caminhada pelo coração da cidade: frio no ar e uma sensação de movimento coletivo. Foi nesse cenário que Roberto Vettor, membro da Sio (Sociedade Italiana de Obesidade) e diretor científico e coordenador clínico do Centro para as Doenças Metabólicas e da Nutrição do Humanitas Research Hospital em Milão, traçou um paralelo sensível entre a vida dos atletas e a jornada diária das pessoas que convivem com a obesidade.
“As Olimpíadas atraem a atenção para atletas que dedicam a vida a superar obstáculos e a buscar metas. O mesmo vale para quem tem obesidade — essas pessoas são chamadas, todos os dias, a confrontar dificuldades e um estigma ainda muito difundido”, afirmou Vettor durante a inauguração do tour itinerante organizado pela Lilly. O evento reúne duas instalações imersivas: The Impossible Gym – Winter Edition, em Piazza dei Mercanti, focada nas barreiras cotidianas enfrentadas por pacientes com obesidade, e o Fan Village, em Piazza del Cannone, que percorre a história da medicina moderna.
Falando com a delicadeza de quem observa o cotidiano como um ciclo de estações, Vettor destacou que a iniciativa busca enviar uma mensagem clara a pacientes e profissionais de saúde: é possível avançar, assim como um atleta determinado alcança seu objetivo. “The Impossible Gym quer transmitir esperança e visibilidade. A comunicação é a raiz de uma colheita social: sem ela, o solo do entendimento permanece árido”, disse, lembrando que a Sio apoia o evento por acreditar no poder de uma narrativa bem construída.
Vettor reforçou que a obesidade é uma doença crônica e recorrente, cuja fisiopatologia hoje é mais conhecida. “Não é mais apenas um problema estético”, observou, num tom que mistura rigor e compaixão. Segundo ele, a mudança de olhar nas instituições e no sistema de saúde é urgente: a responsabilidade de enfrentar o estigma não pode cair sobre os ombros do paciente. “A obesidade tem agora os contornos claros de uma doença, reconhecida também pelas instituições”, concluiu.
Ao transformar praças históricas de Milão em espaços de experiência sensorial, a instalação convida o público a caminhar pelos obstáculos simbólicos que a sociedade impõe. É como se a cidade respirasse junto com quem vive essa condição: cada degrau, cada resistência, um convite à empatia e à ação. A mensagem que fica, como um sopro de brisa nas folhas das estações, é que comunicar bem e acolher pode ser o primeiro passo da cura — ou, ao menos, do alívio.
Para quem observa a cena italiana com olhos de quem procura viver bem em paisagens urbanas, iniciativas como essa são sementes lançadas num terreno fértil: ampliam a consciência, derrubam estigmas e lembram que, no grande ginásio da vida, superar obstáculos é possível quando a sociedade inteira decide mudar de ritmo.






















