Por Alessandro Vittorio Romano — A decisão da Comissão Europeia de aprovar mepolizumab como tratamento de manutenção adicional para adultos com BPCO não controlada e caracterizada por aumento dos eosinófilos no sangue é, para quem convive com a doença, uma notícia que acende uma nova esperança. Em conversa com a Adnkronos Salute, o professor Alberto Papi, diretor da Unidade Respiratória do Hospital Sant’Anna, em Ferrara, descreveu o passo como um exemplo de medicina de precisão aplicada a um alvo bem definido.
Na prática clínica, a broncopneumopatia crônica obstrutiva permanece uma condição marcada por episódios de riacutização que podem ser severos, mesmo em pacientes que já recebem a máxima terapia inalável disponível. A inclusão de mepolizumab — um anticorpo monoclonal que atua contra a interleucina-5 — oferece uma opção adicional para casos em que as terapias tradicionais (um corticosteroide inalatório, um beta2-agonista de longa ação e um antagonista muscarínico de longa ação) não conseguem controlar as exacerbações.
O aval europeu baseia-se nos resultados positivos do estudo de fase 3 Matinee, no qual mepolizumab demonstrou reduzir de forma clinicamente e estatisticamente significativa a taxa anualizada de riacutizações moderadas e graves quando comparado ao placebo associado ao padrão de cuidado. Segundo Papi, os dados mostram que, nessa categoria específica de doentes, a adição de um inibidor direcionado da interleucina-5 diminui claramente os episódios de piora.
O caráter distintivo do medicamento está em sua especificidade: trata-se de uma terapia voltada para pacientes com inflamação eosinofílica, facilmente identificável por um exame simples — o hemograma que revela contagem elevada de eosinófilos. Isso transforma o manejo clínico em algo mais parecido com a colheita de uma safra bem conhecida: é preciso reconhecer o terreno (o fenótipo eosinofílico) para aplicar o tratamento certo.
Importante frisar que o público elegível é amplo dentro do subtipo eosinofílico: inclui pacientes com e sem bronquite crônica, com e sem enfisema, e com diversos graus de comprometimento pulmonar. Ou seja, a nova indicação não é restrita por uma imagem única do pulmão, mas sim pelo ritmo inflamatório que o sangue nos revela.
Como observador atento das estações do corpo e da cidade, vejo nesta aprovação a tradução concreta de uma ideia simples e terna: quando conhecemos melhor o solo onde plantamos, podemos escolher sementes que floresçam. Para muitos doentes com BPCO que convivem com exacerbações frequentes, mepolizumab representa uma semente terapêutica nova — fruto de pesquisa — que pode reduzir tempestades respiratórias e devolver dias mais serenos à respiração.
Os clínicos e os pacientes poderão agora contar com essa alternativa alinhada à terapia inalável padrão, sempre avaliando perfil inflamatório por meio de exames acessíveis. Em resumo, é uma boa notícia que nasce da combinação entre ciência de ponta e um gesto simples: olhar para o sangue e ouvir o que ele nos conta sobre a inflamação.






















