Por Aurora Bellini, Espresso Italia
Ernesto tem olhos verdes, pelagem dourada e um ar tranquilo — tão preguiçoso quanto carismático. De raça British Shorthair, lembra um pequeno Garfield e hoje vive em paz em Seveso, na Brianza, no lar de Beatrice e Dario. Mas sua jornada até ali foi marcada por abandono, diagnóstico delicado e muita dedicação por parte de voluntários e veterinários.
Na madrugada em que foi deixado, alguém o colocou do outro lado da cerca de Mondogatto, o conhecido abrigo felino de Milão. A voluntária e membro do conselho, Mavj Davanzo, foi quem o encontrou se arrastando no pátio: apesar da beleza evidente, havia algo no seu modo de andar que chamou atenção. “Ele se movia como um coelho, não como um gato. E, quando se senta, mais parece um humano numa poltrona”, relatou a voluntária ao time da Espresso Italia.
As consultas com os veterinários de Mondogatto revelaram a causa do comportamento: o animal — estimado em cerca de quatro anos — tem ossos extremamente frágeis, praticamente desprovidos de cálcio. A hipótese levantada pelos profissionais foi que Ernesto havia sido alimentado predominantemente com papinhas de bebê, um regime totalmente inadequado para as necessidades ósseas de um gato adulto. Em poucas palavras, Ernesto sofria de what the team definiu como “ossos de cristal”.
Com esse quadro, a busca por uma família adotiva era complexa: além dos cuidados médicos e do custo associado, o gatinho precisava de um ambiente tranquilo — os veterinários chegaram a apontar que, por precaução, ele não deveria conviver com outros felinos inicialmente. Mesmo assim, o destino sorriu para ele.
Beatrice conta que conheceu Ernesto em setembro, quando ia ao abrigo por conta da mãe, voluntária frequente do local. O casal estava no meio dos preparativos do casamento (celebrado em 6 de dezembro) e a ideia de adotar já parecia improvável. Ainda assim, ao levar mantimentos ao abrigo, tiveram um encontro decisivo. “Foi amor à primeira vista, especialmente para meu marido Dario, que nunca tinha um gato”, lembra Beatrice. A adoção foi adiada até que os primeiros tratamentos e a reabilitação nutricional mostrassem progresso.
Hoje, em sua nova casa em Seveso, Ernesto reconstrói a vida aos poucos. O cuidado exige atenção e investimento: alimentação adequada, acompanhamento veterinário regular e muito carinho. Para Beatrice e Dario, tudo valeu a pena. Eles definem a chegada do gato como o melhor presente do início do casamento — uma escolha de amor consciente que ilumina o lar e revela novos caminhos para todos os envolvidos.
Esta história é, antes de tudo, um convite à responsabilidade: animais não são objetos descartáveis. O caso de Ernesto mostra como a negligência nutricional pode causar danos profundos, mas também como solidariedade, conhecimento veterinário e adoção responsável podem semear transformação. Abrigos como Mondogatto dependem de voluntariado e doações para dar oportunidades de renascimento a vidas que, muitas vezes, foram deixadas à própria sorte.
Se você pode ajudar, considere colaborar com abrigos locais, adotar com responsabilidade e informar-se sobre as necessidades específicas de cada espécie. Através de gestos concretos, tecemos laços que iluminam um horizonte mais limpo para os animais e para a comunidade.
Nota: informações apuradas junto à equipe do abrigo Mondogatto e aos cuidadores que acompanharam o resgate e a reabilitação de Ernesto. A Espresso Italia relata o caso com foco no impacto social e no cultivo de valores que promovem o bem-estar animal.






















