Por Otávio Marchesini — Em um jogo que refletiu as contradições desta temporada, Fiorentina e Torino dividiram os pontos em Florença com um empate por 2 a 2. A partida, rica em reviravoltas e erros que expuseram fragilidades coletivas, acabou decidida apenas no fim: aos 93 minutos, Maripán subiu mais alto em cobrança de falta e devolveu aos visitantes um resultado que parecia perdido.
O roteiro começou a favor dos granata: aos 26 minutos, Casadei aproveitou um desentendimento defensivo dos donos da casa — fruto do desenho tático 3-5-2 aplicado por Baroni — e recebeu passe preciso de Ilkhan para abrir o placar. A construção do gol do Torino evidenciou uma leitura clara do adversário, explorando a mobilidade dos alas e as transições rápidas.
A Fiorentina, longe de se conformar, teve dificuldades no primeiro tempo para furar o bloqueio adversário. Os visitantes, mesmo sem Prati e Vlasi (suspensos), criaram perigo com Kulenovic e Lazaro — este último atingindo a trave — e o sistema de Baroni soube neutralizar com repetidos bloqueios pelos flancos, comprometendo sobretudo o trabalho de Dodo pelo lado direito violeta.
O segundo tempo começou com um revés para a Fiorentina: o islandês Gudmundsson teve de deixar o campo logo no reinício, após levar um golpe no tornozelo. A alteração reorganizou o time: Harrison entrou e deslocou-se para a direita, com Solomon trocando de faixa. Foi justamente Solomon quem, aos 51 minutos, capitalizou a recuperação de bola feita por Mandragora e fez o empate.
Seis minutos depois, outro mexicano na reta final da jogada: Kean apareceu para concluir com precisão e colocar a Fiorentina à frente, aproveitando um passe vindo de um jogador que já passou pelo futebol inglês (identificado pela reportagem como ex-Leeds). A resposta de Baroni foi imediata: tirou Kulenovic e Ilkhan, promovendo as entradas de Simeone e Anjorin para tentar recompor a equipe.
O jogo, então, tornou-se tenso: cartões próximos entre os atletas, trocas no meio de campo por parte do Torino — Vanoli colocou Fabbia e Ndour para dar dinâmica — e chances desperdiçadas que mantiveram a incerteza. Um dos suplentes visitantes, Zapata, teve a chance de empatar, mas esbarrou em defesa determinante de De Gea, que negou o gol.
Quando tudo indicava que a Fiorentina poderia somar mais três pontos numa tarde marcada por frustrações internas, veio a cobrança de falta da esquerda nos acréscimos: Maripán sobressaiu, cabeceou e estabeleceu o 2 a 2 final. Para os torcedores violeta, mais um episódio de amargura em uma temporada que tem acumulado expectativas não correspondidas; para o Torino, um empate que vale como pequeno consolo e prova de caráter.
Mais do que o resultado, o encontro em Florença expôs velhas questões do futebol moderno: preparação física e gestão de elenco em calendários apertados, capacidade de adaptação tática diante de ausências e a importância de um coletivo que consiga transformar iniciativas isoladas em consistência. Num contexto social em que o futebol ainda atua como termômetro de identidade regional, partidas como esta lembram que o rendimento diário do clube reflete estruturas mais amplas — da formação à direção — e não só variações momentâneas em campo.
Ficha rápida: Fiorentina 2 x 2 Torino — Gols: Casadei (TOR) 26′ / Solomon (FIO) 51′ / Kean (FIO) 57′ / Maripán (TOR) 93′. Principais substituições e cartões influenciaram decisivamente o ritmo do confronto.





















