Por Marco Severini — Em um movimento que desenha um novo capítulo na tensão entre Moscou e Kiev, o Serviço de Segurança Federal russo (FSB) anunciou a prisão e extradição do homem apontado como autor do atentado contra o número dois da inteligência militar russa, o general Vladimir Alekseyev. O detido foi identificado pelas autoridades russas como Korba Lyubomir, nascido em 1960, e entregue a Moscou após ser detido nos Emirados Árabes Unidos.
O episódio foi formalizado com a publicação de imagens obtidas pelo FSB — um vídeo mostra agentes aguardando na pista o avião que trouxe o suspeito de Dubai a Moscou; o homem desembarca algemado, com o rosto preservado nas imagens divulgadas. Outra gravação de câmeras de segurança revela detalhes do local do atentado: o condomínio do general, a descoberta da arma utilizada — uma pistola com silenciador — parcialmente escondida na neve, e cenas da operação pericial no interior do edifício.
Segundo informações do Comitê Investigativo russo, Korba Lyubomir teria chegado a Moscou em dezembro com a finalidade de executar um ataque, supostamente “por instruções dos Serviços de segurança ucranianos”. A narrativa oficial afirma que, em parceria com o Ministério do Interior russo, já foram identificados dois supostos cúmplices: Vasin Viktor, nascido em 1959, atualmente detido em Moscou; e Serebritskaya Zinaida, nascida em 1971, que as autoridades dizem ter fugido para a Ucrânia.
O Tribunal de Zamoskvoretsky determinou a custódia cautelar do acusado após uma audiência cujo teor foi tornar públicas as medidas somente com o anúncio da extradição. O FSB informou que a busca pelos mandantes do crime permanece em curso, destacando que a investigação segue em caráter prioritário.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que se insere na tectônica de poder entre Moscou e Kiev: a Operação de recuperação do suspeito nos Emirados e sua transferência rápida ao território russo constituem um ato calculado tanto para sinalizar capacidade operacional quanto para consolidar uma narrativa interna sobre ameaças externas. É uma jogada que lembra um lance de xadrez bem preparado — reposicionar uma peça chave para bloquear contra-ataques e reafirmar controle sobre a narrativa de segurança.
Resta, contudo, um centro de gravidade não resolvido: a identificação e neutralização dos supostos mandantes. A diplomacia e os serviços de inteligência caminham agora sobre alicerces frágeis — a acusação contra agentes estatais de Kiev, se confirmada, tem potencial de redesenhar fronteiras de influência e intensificar a escalada de retórica entre os dois Estados. Por enquanto, Moscou cala as peças e joga com sigilo, enquanto divulga evidências cuidadosamente selecionadas ao público.
Na prática, a sequência processual incluirá os desdobramentos judiciais contra Korba Lyubomir e a continuação das investigações sobre redes de apoio. Do ponto de vista geopolítico, observaremos se este episódio será uma operação isolada de segurança interna ou um movimento estratégico destinado a redesenhar, mesmo que sutilmente, o tabuleiro de relações entre Rússia, Ucrânia e atores terceiros envolvidos.






















