Por Chiara Lombardi — Em um cenário que funciona como um espelho do nosso tempo, Milão e a sua febre criativa durante a Fashion Week dão forma ao novo romance de Eleonora Rossi Castelli, Fashion Week – Una commedia romantica (Rizzoli). Jornalista da Mediaset e rosto do Studio Aperto, Rossi Castelli assina aqui uma narrativa coral que mistura glamour, ambição e desejos íntimos, transformando a semana mais frenética do calendário fashion em um palco para pequenas e grandes epifanias.
Numa prosa leve e ao mesmo tempo perspicaz, o livro acompanha sete dias em que “pode acontecer de tudo”: uma nota sobre a fragilidade das carreiras — onde um outfit mal escolhido tem o poder de reescrever destinos — e uma observação sobre os bastidores de um grande e tumultuado escritório de imprensa de moda. A autora confidencia à imprensa que espera que os leitores se divirtam ao descobrir o que há por trás dessa máquina de criatividade e pequenas loucuras.
Ao centro, quatro mulheres cujas trajetórias se cruzam e se desencontram no fluxo vertiginoso da cidade. Olimpia, recém-chegada a Milão, traz na mochila um diploma em filosofia e a inquietude de quem ainda busca um eixo. Sveva sonha com reportagens quentes e investigações arrojadas, mas recebe como prova de fogo o estágio num escritório de moda — um contraste que lhe testa ambições e paciência. Para as duas vinte-e-quelquer-coisa, a metrópole parece pronta para reescrever sonhos.
Já Aurora e Cecilia, na casa dos trinta, vivem uma outra tonalidade de espera. Aurora, recém-mãe e PR no universo fashion, vê sua vida transformar-se com a chegada de uma filha; Cecilia, presa ao papel de “eterna namorada” de um companheiro workaholic, sente o chão tremer sob os pés e a urgência de se reinventar. O estopim que fará suas rotas colidirem é, ao mesmo tempo, trivial e simbólico: um antigo e pesado relógio despertador que cai do criado-mudo de Olimpia na madrugada — um pequeno incidente que desencadeia uma série de consequências imprevisíveis e cômicas.
Entre porteiros ex-modelos, quiromantes e mendigos com sabedoria misteriosa, o romance se desenrola como um roteiro escondido da sociedade: personagens que representam palpitações contemporâneas aprendem que é inútil resistir às reviravoltas da sorte e do coração. Não há espaço para o ghosting quando o encontro com o outro pode ser a pista para o verdadeiro amor — ou para uma reinvenção profissional e afetiva.
Rossi Castelli, que já havia explorado outras paisagens humanas em Mattoni rossi (2023), opta aqui por uma comédia romântica contemporânea que não abdica de observar o backstage da moda com ironia e ternura. O resultado é uma fábula urbana sobre crescimento, amizade e desejo — um relato que funciona como um reframe da realidade em que a extravagância dos eventos contrasta com os dilemas íntimos das protagonistas.
Fashion Week – Una commedia romantica surge, portanto, como uma leitura leve e ao mesmo tempo reflexiva: perfeita para quem quer entender o pulso da indústria cultural e, ao mesmo tempo, sentir o calor das mudanças pessoais. Uma narrativa que confirma que, no grande teatro da moda, os bastidores frequentemente preservam as histórias mais humanas.






















