Roberto Vannacci deu um passo formal na construção de sua nova força política: a associação Futuro Nazionale foi registrada em cartório na Toscana, em ato assinado por cinco pessoas nesta semana. A movimentação marca a transição de um projeto informal para uma estrutura organizada, com ambições claras no campo do centro-direita e o olhar voltado para as próximas eleições nacionais.
Segundo fontes próximas ao movimento, compareceram ao cartório o próprio Vannacci, o seu braço direito e fiel aliado desde o início, Massimiliano Simoni (único eleito no Conselho Regional da Toscana), os deputados Rossano Sasso e Edoardo Ziello — que nesta semana deixaram a Lega para migrar ao grupo Misto — e Cristiano Romani, um dos fundadores do movimento ‘Mondo Contrario’.
Do ato constitutivo, apurou-se que Vannacci terá o posto de presidente da nova associação, enquanto Simoni deverá assumir a coordenação do movimento. Não está prevista, por ora, a figura do secretário, o que sugere uma estrutura mais centrada em funções táticas e de liderança coletiva do que em hierarquias partitárias tradicionais.
O símbolo que acompanhará a iniciativa é um selo em campo azul com uma chama tricolor estilizada — sinal já depositado no Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia em 24 de janeiro. A escolha do logotipo, no entanto, chega envolta em polêmica: o mesmo nome e marca teriam sido registrados há dez anos pelo ex-conselheiro regional do M5S, Riccardo Mercante, posteriormente falecido, o que abre uma possível disputa sobre a titularidade do nome.
Em declarações aos apoiadores, Vannacci deixou claro o alinhamento estratégico: a nova associação deverá orbitar ao redor do centro-direita e prepara-se para disputar espaço no cenário nacional. “Com certeza o primeiro passo serão as eleições políticas de 2027”, afirmou, traçando um horizonte que define o calendário político como o principal objetivo.
Do ponto de vista prático, o registro em cartório é o assentamento dos alicerces de um projeto que terá de disputar não apenas eleitores, mas também espaço simbólico e jurídico. A presença de deputados que se afastaram da Lega ajuda a compor um corpo parlamentar inicial, ainda que reduzido, e confere ao movimento uma porta de entrada nas dinâmicas da Câmara.
Para observadores da cena política, o movimento de Vannacci pode funcionar como uma tentativa de construir uma ponte entre correntes conservadoras e eleitores insatisfeitos com os partidos tradicionais do bloco. Resta ver se o novo partido conseguirá derrubar as barreiras burocráticas e de reconhecimento que frequentemente interrompem a consolidação de novas siglas na arquitetura eleitoral italiana.
Enquanto isso, a formalização em cartório marca simbolicamente o peso da caneta sobre um projeto que pretende traduzir em votos a sua proposta política. Cabe agora aguardar os próximos passos: definição programática, capilaridade territorial e eventuais acordos com forças já estabelecidas no centro-direita.






















