Milano‑Cortina 2026 estreou na televisão como um verdadeiro evento-espelho do nosso tempo: a cerimônia de abertura transmitida pela Rai1 arrastou multidões diante da tela na noite de sexta-feira, 6 de fevereiro. Segundo os dados consolidados, o espetáculo ao vivo registrou impressionantes 9.272.000 telespectadores, correspondendo a um 46,2% de share no período das 20h02 às 23h30.
Esse resultado não é apenas uma vitória de audiência; é também um indicador cultural. A cerimônia, que mistura tradição, espetáculo e símbolos nacionais, funcionou como um roteiro coletivo projetado numa sala de cinema doméstica — um reframe da identidade esportiva e do imaginário europeu que ocupou mais da metade do público televisivo.
Em distância considerável, em segundo lugar, ficou a oferta da Mediaset: Io Sono Farah em Canale 5 reuniu 1.873.000 espectadores, com 12% de share. Logo atrás, no ranking da noite, o jornalístico Quarto Grado em Rete4 teve 1.081.000 espectadores e 8,1% de share.
Outros números da programação noturna mostram a diversidade de preferências do público: na Italia1, o filme Pirati dei Caraibi – Ai confini del mondo somou 796.000 espectadores (5,2%); na La7, o programa Propaganda Live anotou 676.000 espectadores (4,5%); já na Rai3, Un Giorno in Pretura alcançou 308.000 espectadores (1,6%), valor similar ao de I Migliori Fratelli di Crozza no Nove, com 310.000 (1,6%).
No chamado Access Prime Time, o vencedor absoluto foi o entretenimento: La Ruota della Fortuna, em Canale5, liderou com 4.384.000 espectadores e 19,9% de share. Em seguida, Un Posto al Sole obteve 1.253.000 espectadores (5,6%), e Otto e Mezzo, na La7, marcou 1.003.000 espectadores (4,5%).
O universo de séries e programas de nicho também teve presença: N.C.I.S. – Unità Anticrimine em Italia1 reuniu 728.000 espectadores; Il Cavallo e la Torre somou 705.000; e 4 di Sera, em Rete4, teve 719.000 espectadores — todos com share em torno de 3,3%.
O saldo da noite é claro: a transmissão da cerimônia de abertura de Milano‑Cortina 2026 não só dominou o mercado de audiência, como desenhou um momento de pertença coletiva. Como uma cena bem dirigida, a cerimônia funcionou como um espelho cultural, refletindo expectativas, retóricas e imagens que agora fazem parte do cenário de transformação da mídia italiana.
Chiara Lombardi, Espresso Italia






















