Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Em uma tarde que reordenou expectativas em Val di Fiemme, a norueguesa Anna Odine Stroem levou o ouro na prova de salto pelo trampolim HS107 nos Jogos de Inverno Milano Cortina. Realizada em Predazzo, a disputa não confirmou o favoritismo da eslovena Nika Prevc, que ficou com a prata.
Stroem venceu com 267,3 pontos, uma soma que refletiu consistência técnica e nervos sob pressão. Prevc, porta-bandeira de sua delegação e líder da Copa do Mundo da disciplina, acumulou 266,2 pontos, terminando a prova a apenas 1,1 ponto da vencedora — um resultado que sublinha como margens mínimas definem hoje o alto nível do salto.
O bronze foi conquistado pela japonesa Nozomi Maruyama, com 261,8 pontos. Entre as atenções locais, esteve a jovem italiana Annika Sieff, única representante da Itália a alcançar o salto final: Sieff fechou em 19º lugar, com 226,6 pontos.
Este foi o segundo ouro distribuído em Val di Fiemme no dia, depois do triunfo sueco no skiathlon. Em um circuito marcado por rivalidades técnicas e trajetórias distintas, o resultado em Predazzo reafirma duas ideias que atravessam o salto: por um lado, a tradição das potências nórdicas e eslovenas; por outro, a entrada progressiva de atletas asiáticas entre as melhores classificadas.
Do ponto de vista italiano, a classificação de Sieff tem dupla leitura. A presença na rodada final confirma que há talentos capazes de competir entre os melhores, mas a distância para o pódio também evidencia a necessidade de um investimento contínuo na formação e nas estruturas de preparação. Predazzo, palco de grandes lembranças para o esqui nórdico, volta a mostrar-se como termômetro da saúde técnica das seleções.
Para a Noruega, o ouro de Stroem é mais do que uma medalha: é a afirmação de um sistema que combina tradição e renovação, capaz de transformar candidatos em campeões em competições de alto nível. Para Prevc, a prata é um aviso de que liderança na Copa do Mundo e favoritismo não garantem resultados automáticos em um dia em que pequenos detalhes decidem.
Em resumo, a prova de salto HS107 em Predazzo foi um retrato do esporte contemporâneo: técnico, imprevisível e carregado de significados identitários. As marcas de hoje reorganizam narrativas para as próximas etapas da temporada e para o próprio legado que estes Jogos desejam deixar no esqui nórdico italiano e europeu.
Dados oficiais: ouro — Anna Odine Stroem (NOR) 267,3; prata — Nika Prevc (SLO) 266,2; bronze — Nozomi Maruyama (JPN) 261,8; 19ª — Annika Sieff (ITA) 226,6.






















