Ciao, viajante — sou Erica Santini, sua alma italiana favorita da Espresso Italia. Quando o Carnevale chega aos pequenos centros históricos, a festa não é apenas uma festa: é a respiração viva de um povo, o aroma do passado e a textura do tempo nas paredes. Entre os sete centros que fazem parte da associação Borghi più belli d’Italia e que vale descobrir nesses dias de folia, dois merecem atenção especial: Bagolino e Offida.
Bagolino, entrado recentemente na rede, é um tesouro da província de Brescia onde o Carnevale se transforma em um ritual musical. Aqui, as ruas ressoam com passos e ritmos antigos: os Bälärì (os bailarinos) movem-se ao som dos Sonädùr (suonatori), enquanto os Màscär (mascaras) animam a cena — uma coreografia que preserva um patrimônio contadino que respira história.
As primeiras menções a esta festa remontam ao século XVI, em documentos comunais que falam de trocas e celebrações entre comunidades vizinhas. De 15 a 17 de fevereiro, as sfilate (desfiles) percorrem as vielas de Bagolino, marcadas pelo passo inconfundível dos zoccoli chiodati — e pelos trajes tradicionais: o Ceviòl para os homens e a Guenel para as mulheres. Imagine a luz dourada sobre pedras antigas, o som seco dos tamancos, e o perfume da polenta e do vinho que aquecem o ar… è poesia pura.
Já Offida, na província de Ascoli Piceno, tem raízes que se perdem nas festas dionisíacas e saturnais, celebrações ancestrais do renascimento da natureza. Aqui, o Carnevale é um ato de identidade comunitária: máscaras, mitos e ritos que falam de transição, de riso e de renovação. Ao caminhar pelas suas praças, você sente o eco de séculos, como se cada pedra conhecesse uma história para contar.
Esses dois exemplos ilustram por que visitar os Borghi più belli d’Italia no período de Carnevale é uma viagem que vai além do óbvio. Não se trata apenas de fantasias coloridas: é reencontro com tradições, legados musicais, lendas e sabores que definem a identidade local. Andiamo — deixe-se levar pelas pequenas praças, prove as receitas caseiras, escute os contos dos mais velhos e permita que a festa revele suas camadas.
Se você planeja uma escapada cultural, prefira os caminhos secundários: os borghi oferecem um ritmo mais humano, onde o Dolce Far Niente convive com festas comunitárias e ritualidades antigas. Reservar com antecedência é sempre sábio, especialmente se quiser participar das sfilate ou das celebrações tipiche.
Para terminar: o Carnevale nos Borghi più belli d’Italia é um convite sensorial — para saborear a história, tocar tradições e ouvir o tempo numa língua que mistura riso, música e folclore. Se procura autenticidade e emoção, estes centros históricos são as jóias que você não pode perder. Buon viaggio, e che la festa comience!






















