Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Zoe Trinchero, 17 anos, era descrita em Nizza Monferrato como uma jovem alegre, solare e com um objetivo claro: tornar-se psicóloga “para ajudar os outros”. A realidade traduzida pelos moradores desta cidade de cerca de dez mil habitantes confirma uma imagem de afeição imediata — “todos a adoravam”, repetem amigos e vizinhos.
Zoe conciliava estudo e trabalho. Desde 9 de dezembro ocupava um turno no bar da estação, quatro horas diárias. O empregador relata cordialidade com clientes e compromisso com as tarefas: “tínhamos falado ontem sobre renovação do contrato. Era muito cordial, se fazia querer bem”, disse o titular ao ser ouvido pelos investigadores. Depois das últimas conversas com colegas, Zoe saiu do trabalho dizendo apenas: “ci vediamo domani” — a despedida rotineira que, para quem a conhecia, não prenunciava nada anômalo.
A prisão do suspeito efetuada pelos carabinieri lançou a cidade em dor, sconcerto e incredulidade. “Agora que foram colocadas as manettes, fica a dor e o espanto”, resume a sensação coletiva. Em localidades como Nizza Monferrato, onde “todos conhecem todos”, as reações são imediatas e marcadas por descrições pessoais. Leonardo, 20 anos e amigo de longa data, lembrou que o grupo cuidava para não deixar a jovem sozinha: “Quando saíamos à noite, sempre íamos buscá-la no trabalho. Com a gente que circula por aqui, não confiávamos em deixá-la sozinha”.
O relato de Leonardo também aponta para antecedentes de inquietação em uma das pessoas consultadas pelos investigadores antes da detenção: “não é exatamente um personagem tranquilo”, afirmou, sem imputar culpa definitiva. “Mas para fazer uma coisa desse tipo, se foi ele, deve ter enlouquecido”, completou. A imprensa local e a apuração policial mantêm prudência: suspeita detida, inquérito em curso, investigação técnica em andamento.
Amigos próximos, como Nicole, preservam a memória cotidiana de Zoe sem sinais de alerta: “A mim ela nunca contou nada preocupante. Entre nós não havia segredos”, disse. A imagem que predomina é a de uma adolescente ativa — estudiosa, trabalhadora e com um futuro profissional planejado na área de psicologia.
O caso mobiliza também a periferia econômica e cultural da região: Nizza está entre Alessandria, Asti e Alba, cercada pelas vinhas do Piemonte renomadas mundialmente. A comunidade, acostumada a rotinas pequenas e visíveis, agora confronta uma violência que interrompeu a normalidade. A apuração prossegue com a coleta de depoimentos, análise de provas e a cooperação das autoridades locais. A marca registrada desta cobertura é a limpeza de narrativas: fatos brutos, verificados, sem especulação.
Continuaremos a atualizar com informações oficiais das autoridades e com o cruzamento de fontes locais. A cidade aguarda esclarecimentos enquanto lamenta a perda de uma jovem que, em palavras e ações, queria dedicar a vida a ajudar os outros.






















