Por Giuseppe Borgo — Em mais uma leitura dos humores do país, o Instituto Piepoli aponta que a confiança dos italianos na presidente do Conselho, Giorgia Meloni, alcança 45%, com um aumento de 1 ponto percentual em relação à última medição. O levantamento revela não apenas números, mas tensões políticas que atravessam os alicerces do debate público: diplomacia, segurança e surgimento de novas forças no espectro direito.
Do ponto de vista internacional, o estudo mostra que 76% dos entrevistados consideram que a primeira-ministra deveria adotar uma postura mais crítica em relação ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa cobrança vem de diferentes fragmentos do eleitorado: 63% entre eleitores do centro-direita (com 63% entre os de Fratelli d’Italia, 74% em Forza Italia e 53% na Lega), e percentuais ainda maiores na esquerda e no Movimento 5 Stelle — 96% e 91%, respectivamente. A confiança em Trump permanece baixa: apenas 18% dos italianos confiam no presidente da Casa Branca, com uma leve queda de 1%.
No cenário doméstico, o enquete confirma o papel central do partido de Meloni: Fratelli d’Italia aparece como o primeiro partido, com 31,5% de intenção de voto. Em sequência aparecem o Partito Democratico (21,5%), o Movimento 5 Stelle (12%), Forza Italia (9%), e a Lega em 7% (queda de 1%). Partidos menores registram percentuais modestos: Avs 6%; Italia Viva e Azione empatados em 3%; Noi Moderati, Più Europa e Partido Liberal Democratico em 1,5% cada. Antes dessas legendas surge o novo movimento Futuro Nazionale, do líder Roberto Vannacci, com 2% de preferência.
O levantamento também destaca a presença — e o questionamento — em torno de figuras emergentes: 23% dos entrevistados declaram ter confiança no general mencionado na pesquisa, e uma parcela similar afirma que votaria em sua nova formação política, apontando para um bacino potencial de até 7% em cenários favoráveis. Entre eleitores de centro-direita, a disposição de apoio sobe para 37% (com variações por partido: 35% entre eleitores de Fratelli d’Italia, 39% em Forza Italia e 45% na Lega); já entre o centro-esquerda a aceitação é de 13% e apenas 9% entre eleitores do M5S.
Uma outra área de atenção pública que emerge com clareza é a segurança: 72% da população está preocupada com o risco de violência em protestos de rua — preocupação maior entre eleitores do centro-direita (87%), menor entre os do centro-esquerda (53%) e 68% entre os do M5S. Consequentemente, 61% dos entrevistados apoiam a introdução de novas medidas de segurança para manifestações, índice que chega a 80% no eleitorado de centro-direita e cai para 44% entre os eleitores de centros esquerdistas e do Movimento 5 Stelle.
Como repórter e ponte entre Roma e a vida cotidiana, observo que esses números não são meros pontos percentuais: traduzem pedidos por sinais de liderança e políticas claras — seja na postura externa perante grandes aliados, seja na proteção da ordem pública. A arquitetura do voto mostra uma direita consolidada, um centro-esquerda resiliente e novas formações que podem alterar os alicerces do tabuleiro político se souberem transformar mobilidade popular em organização estrutural.
Em termos práticos para quem vive e trabalha na Itália — imigrantes, ítalo-descendentes e cidadãos — a pesquisa reforça a necessidade de vigilância sobre decisões que, da cúpula de Roma, afetam serviços, segurança e vínculos internacionais. A caneta que pesa sobre decretos e pactos diplomáticos continua a moldar a vida cotidiana: acompanhar essas métricas é acompanhar a construção (e a eventual desconstrução) de direitos.






















