Em 13 e 14 de fevereiro, Giorgia Meloni chega a Addis Abebatagliando
— uma revisão política e operacional — do Piano Mattei. A visita da presidente do Conselho dos Ministros italiana está programada para coincidir com dois momentos-chave: o segundo encontro Italia-Africa, na sexta-feira, e a reunião plenária da 39ª sessão ordinária da Assembleia dos Chefes de Estado e de Governo da União Africana, no sábado, onde Meloni participará como convidada de honra.O caráter simbólico e prático da missão não deve ser subestimado. Addis Abeba é, para Roma, mais do que um palco diplomático: é o ponto onde a estratégia italiana para o continente encontra parceiros, recursos e a prova dos seus resultados. Dois anos após o lançamento do Plano inspirado em Enrico Mattei, a viagem é pensada para medir o grau de consolidação dessa política — da fase de desenho à etapa de execução e ampliação.
Segundo fonti diplomatiche, o relatório que Meloni apresentará aos líderes africanos destaca que, em 2025, foram mobilizados entre 1,3 e 1,4 miliardi di euro. As fontes financeiras citadas incluem o Fondo Italiano per il Clima, o Plafond Africa da Cassa Depositi e Prestiti e, com papel determinante, uma linha multi-donor ativada com a Banca Africana di Sviluppo. No desenho adotado por Roma, cada euro italiano tende a funcionar como catalisador: há um efeito-aliança em que a contrapartida africana e parceiros internacionais, como Emirados Árabes Unidos e Dinamarca, ampliam o alcance dos investimentos.
O reforço de recursos e a coordenação operacional traduziram-se, nas palavras de diplomatas, em uma presença italiana «mais estruturada e continuativa» no continente. Não se trata de intervenções pontuais: o objetivo declarado pelo governo é consolidar agendas de longo prazo que abranjam diversas áreas e um número crescente de países. Em 2024 o Plano alcançava nove Estados; hoje o mapeamento inclui 14 países, com perspectiva de expansão adicional em 2026.
Há também um fio de continuidade que liga essa viagem a iniciativas anteriores: foi em Addis Abeba, em abril de 2023, que teve início um diálogo estruturado sobre migrações e estabilização no Chifre da África. A agenda teve nova etapa em julho de 2025, com a co-presidência italiana do encontro da ONU sobre Sistemas Alimentares e a visita a Jimma. Esses passos ajudam a compor uma «arquitetura» de relações que busca transformar compromissos em políticas e projetos tangíveis.
Do ponto de vista prático, o desafio é converter mobilização financeira em obras, parcerias produtivas e melhorias efetivas na vida de comunidades afetadas por crises climáticas, insegurança alimentar e fluxos migratórios. Em linguagem de cidadania: trata-se de assentar alicerces que suportem a construção de direitos e derrubem barreiras burocráticas que atrapalham a implementação.
Em Addis Abeba, o peso da caneta e da diplomacia será testado contra o peso dos resultados. A missão de Meloni servirá não apenas para prestar contas, mas para ajustar rumos, identificar gargalos e, se necessário, relançar instrumentos de cooperação. Para quem acompanha a interseção entre decisões de Roma e a vida real no continente, o encontro será um termômetro esclarecedor sobre até que ponto o Piano Mattei deixou de ser apenas um projeto e virou prática.






















