Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
Na pista de Bormio, palco de memórias e mitos do esqui alpino italiano, Giovanni Franzoni assegurou a medalha de prata na discesa dos Jogos de Milano Cortina 2026. O pódio, atrás do suíço Franjo Von Allmen, não é apenas um resultado esportivo: é a materialização de um percurso que liga a formação júnior à confirmação entre os maiores.
Nascido em Manerba del Garda a 30 de março de 2001, Franzoni é parte de uma nova geração que tem reconfigurado as expectativas do esqui italiano nas provas de velocidade. O seu currículo júnior já traz sinais dessa trajetória: cinco medalhas em Campeonatos Mundiais júnior — entre elas o ouro no super-G de Bansko em 2021 e os títulos em descida e combinada em Panorama, 2022. São resultados que apontaram cedo uma capacidade polivalente, rara, capaz de transitar entre técnicas e velocidades.
O avanço para a elite foi sistemático. Em 2021 fez o primeiro resultado de relevo entre os seniores, com um 14º lugar no gigante de Cortina. Em 2022, a vitória na Coppa Europa e o título de super-G naquela temporada serviram tanto como vitrine quanto como laboratório competitivo: foi ali que consolidou consistência e confiança. A carreira em Copa do Mundo ganhou contornos decisivos a partir de dezembro de 2025, com o primeiro pódio (3º no super-G em Val Gardena), seguido por duas vitórias emblemáticas em janeiro — Wengen (super-G) e Kitzbühel (descida) — pistas que, na memória coletiva do esqui, equivalem a provas de rito e prova de fogo.
O percurso até a prata em Bormio confirma características já percebidas: resistência às linhas extremas, leitura precisa do terreno e uma maturidade competitiva acima da média para um atleta da sua idade. A pista da Stelvio, em Bormio, não é apenas desafiante em termos técnicos; é também um palco simbólico para o esqui italiano, e a performance de Franzoni ali reforça um processo de renovação do país nas provas de velocidade.
Fora das pistas, Franzoni é descrito como um jovem com interesses que o ancoram: música — prefere rap e trap, tanto italiano quanto americano — e atividades ligadas ao mar, como kite, surf e wakeboard. Esses elementos ajudam a traçar um retrato humano, que contrapõe a intensidade da competição com práticas de lazer que alimentam bem-estar e equilíbrio.
Uma nota curiosa e ilustrativa do ambiente do esqui nacional: após a vitória em Wengen, Franzoni recebeu uma mensagem de incentivo de Alberto Tomba, lenda do esqui italiano. O gesto é simbólico — um diálogo entre gerações — e sublinha o quanto resultados relevantes rapidamente o colocaram no centro de atenções e expectativas.
Hoje, com a prata em Bormio, Giovanni Franzoni oferece mais do que um momento de glória pessoal. Entrega sinais sobre a capacidade italiana de reconstruir tradição nas pistas de velocidade, e lembra que o esqui, como qualquer expressão esportiva com raízes profundas, funciona como barômetro de dinâmicas mais amplas: formação, investimento, memória e renovação.






















