Por Aurora Bellini — Em uma noite que procurou iluminar novos caminhos para a união entre moda, esporte e cultura, a cerimônia de abertura da XXV edição dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026 teve o traço sensível e autoral de Giorgio Armani. Embora o estilista tenha partido em 4 de setembro do ano passado, seu envolvimento prático no desenho do evento — do conceito às escolhas estéticas — ficou claro em cada sequência.
A entrada da porta-bandeira, a modelo Vittoria Ceretti, foi um dos momentos mais comentados: vestida com um longo branco assinado por Giorgio Armani Privé, feito sob medida, ela encarnou a elegância discreta que foi o fio condutor da noite. Antes dela, desfilaram sessenta modelos em três grupos, cada grupo trajando conjuntos monocromáticos de calça e blazer da casa de moda, nas cores do Tricolore, em uma coreografia que traduziu sobriedade e força simbólica.
Na sequência, a delegação anfitriã encerrou o cortejo dos países: os atletas do Italia Team vestiram uniformes assinados por EA7 Emporio Armani, parceiro da Fundação Milano Cortina 2026. O look explorou um twill de lã cinza mélange, acabamento hidrorrepelente, corte over com jaqueta bomber e calça, acompanhado por zíperes, bolsos frontais, logotipos EA7 e CONI, detalhes tricolores e a inscrição ‘Italia’ nas costas. Complementaram o visual gorros, faixas e uma bota técnica de montanha preta — um equilíbrio entre estética e funcionalidade, pensado para se alinhar ao espírito esportivo.
Para as premiações, a peça foi reinterpretada: a ampla jaqueta ganha a cor branca, com estampa all-over do logo EA7 Italia Team, evocando a neve e reforçando o valor do fair play — a essência do esporte que celebra lealdade, respeito e correção. Como toque de pertencimento, a primeira estrofe do hino de Mameli aparece costurada no interior de todos os casacos, gesto de orgulho nacional e união.
Ao longo da cerimônia, artistas e personalidades também trajaram criações de Giorgio Armani. Entre os nomes que subiram ao palco estavam Laura Pausini e Cecilia Bartoli, ambas vestidas com peças da maison que dialogaram com a noite: sofisticação, controle e emoção contida.
O ato final, marcado pela condução da bandeira olímpica até o palco de honra, reuniu atletas e figuras públicas que vestiram looks da coleção outono/inverno 2025/2026 da grife — um desfile de referências que conectou tradição e contemporaneidade.
Mais do que roupas, a presença de Giorgio Armani na Milano Cortina 2026 deixou um legado de cuidado estético e simbólico: roupas projetadas como veículo de valores, um gesto de fazer da imagem pública uma ponte para o respeito e a cooperação internacional. Nesta noite, a moda não foi apenas cenário — foi arquitetura de sentido.
Como curadora de progresso, vejo nesse episódio um pequeno renascimento cultural: a moda semeando inovação, tecido e design tecendo laços sociais, e um horizonte límpido em que o esporte e a criação colaboram para iluminar caminhos comuns. O trabalho de Armani aqui permanece como luz que guia, não por nostalgia, mas por transformar estilo em propósito.






















