BORMIO (SONDRIO) — Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — 07 de fevereiro de 2026
O presidente do CONI, Luciano Buonfiglio, descreveu como uma «grandíssima emoção» o início dos Jogos de Milano Cortina marcado por duas medalhas italianas na descida livre. A prata de Giovanni Franzoni e o bronze de Dominik Paris ressoaram como um sinal de vigor competitivo e de sentido coletivo para o esporte italiano em solo próprio.
«É uma grandíssima emoção começar com duas medalhas e abraçar Giovanni e Dominik. Este é o prêmio pelo compromisso deles. A tensão era tal que eu nem consegui ver a prova: só levantei a cabeça depois da linha de chegada, quando ouvi o grito», relatou Buonfiglio, num reconhecimento que mistura alívio institucional e orgulho nacional.
O episódio, sucinto na forma mas denso em significado, não se reduz ao resultado no pódio. Trata-se de uma confirmação de estruturas: formação de atletas, gestão esportiva e tradição alpina que encontra ressonância política e simbólica em uma edição olímpica italiana. Nesse sentido, Buonfiglio estendeu os cumprimentos ao presidente da FISI, Flavio Roda, sublinhando o trabalho coletivo por trás das conquistas.
A vitória de Franzoni e o retorno de Paris ao pódio materializam duas linhas narrativas que atravessam a história do esqui italiano. Franzoni representa a nova geração que assume a responsabilidade de suceder os ídolos; Paris, por sua vez, encarna a continuidade de uma escola técnica e psicológica que sabe competir sob expectativa intensa — sobretudo quando a corrida acontece em território nacional e diante de uma plateia que reivindica identidade e memória.
Bormio, palco tradicional das descidas mais exigentes do circuito, volta a afirmar seu papel como laboratório de limites e de construção de mitos alpinos. É nesta confluência de geografia e cultura esportiva que as medalhas ganham também um caráter de afirmação regional: as montanhas italianas, as estações, os clubes e as federações locais são protagonistas silenciosos deste sucesso.
Do ponto de vista institucional, o duplo pódio funciona como alavanca para políticas futuras: visibilidade para investimentos, estímulo às categorias de base e reforço à narrativa de que os Jogos em casa produzem efeito multiplicador sobre a prática esportiva e a autoestima coletiva. Em termos simbólicos, a imagem de Buonfiglio abraçando os atletas é menos um gesto de celebração efusiva e mais uma fotografia de Estado — o reconhecimento formal de um país que se reapropria de sua excelência esportiva.
As declarações do presidente do CONI e os cumprimentos a Flavio Roda sinalizam também a necessidade de capitalizar este momento com estratégias de longo prazo, garantindo que o êxito não seja apenas episódico. Para a torcida e para a memória pública, porém, resta primeiro o direito à emoção: aquelas duas medalhas, conquistadas numa descida que exigiu técnica, coragem e nervos de aço, serão lembradas como um início auspicioso para os Jogos de Milano Cortina.
— Espresso Italia






















