Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
O calendário do dia oferece um espelho da diversidade competitiva que o esporte de inverno representa para a Itália: velocidade, técnica, resistência e espetáculo. Mais do que uma sequência de provas, trata-se de momentos em que atletas e cidades — de Livigno à lendária Stelvio — renovam narrativas locais e nacionais. A seleção italiana entra em várias frentes com a clara ambição de conquistar as primeiras medalhas, estabilizando um ciclo competitivo e alimentando memórias coletivas.
Manhã: velocidade e freestyle
A jornada começa dividida entre a ousadia do Freestyle em Livigno e a pura velocidade do esqui alpino na Stelvio. A alternância entre risco e precisão marca o início do dia.
- 10:30 – Freestyle: Qualificações Slopestyle mulheres, com Maria Gasslitter em busca de uma presença sólida nas finais.
- 11:30 – Esqui Alpino: Final da Descida Livre masculina. Em prova, Mattia Casse, Giovanni Franzoni, Dominik Paris e Florian Schieder — uma das ocasiões mais aguardadas para o pódio italiano.
Início da tarde: resistência e precisão no gelo
Transição para provas de longa duração e para modalidades de precisão. O skiathlon exige resistência estratégica; o curling e o hóquei testam coordenação, leitura tática e nervos de aço.
- 13:00 – Esqui de Fundo: Final Skiathlon feminino (10 km + 10 km) com Anna Comarella, Martina Di Centa e Maria Gismondi. Prova que combina fundo, tática e troca de técnica — uma liturgia do esqui nórdico.
- 14:00 – Freestyle: Qualificações Slopestyle masculino com Miro Tabanelli.
- 14:35 – Curling: Doppio misto, fase de grupos. Itália x Suécia com os campeões em título Amos Mosaner e Stefania Constantini — duelo que sintetiza tradição e renovação no esporte sobre gelo.
- 14:40 – Hóquei no gelo: Torneio feminino, a Itália enfrenta a Suécia no grupo preliminar — confronto que mede desenvolvimento e formação de base.
Tarde: pista longa e slittino
Olhos voltados para o gelo de Milão, onde a experimentada Francesca Lollobrigida busca mais uma apresentação dominante, e para Cortina, onde o slittino sempre entrega duelos de centésimos.
- 16:00 – Patinação de Velocidade: Final dos 3000 metros femininos com Francesca Lollobrigida como principal referência para o pódio.
- 17:00 e 18:32 – Slittino: Singolo masculino, Heat 1 e Heat 2 com Leon Felderer, Dominik Fischnaller e Alex Gufler em pista.
Noite: saltos, finais e dança no gelo
A conclusão do dia mistura técnica aérea, espetáculo do Big Air e a elegância competitiva do patinação artística por equipes.
- 18:45 – Salto com esquis: Final do trampolino NH individual feminino com Ambrosi, Malsiner, Sieff e Zanitzer.
- 19:05 – Curling: Segundo compromisso do dia para o doppio misto contra a Noruega.
- 19:30 – Snowboard: Final do Big Air masculino com Ian Matteoli — oportunidade concreta de medalha para a Itália.
- 19:45 – Patinação Artística: Team Event, Programa Curto masculino com Daniel Grassl.
- 22:05 – Patinação Artística: Team Event, Dança Livre com a dupla Marco Fabbri e Charlène Guignard — momento em que técnica e interpretação se entrelaçam como representação cultural.
Ao longo do dia, a leitura que propomos vai além do cronograma: cada atleta carrega trajetórias de formação, centros regionais e políticas esportivas que moldam o presente. Ver a Itália competir em tantas frentes é observar um país que, apesar de desafios estruturais, busca afirmar sua identidade esportiva nas montanhas, no gelo e nas pistas. A expectativa é que as primeiras medalhas surjam como confirmação de processos e como combustível para as próximas gerações.






















