Por Otávio Marchesini, Espresso Italia
A Itália encerrou com otimismo a primeira jornada do team event de patinação artística na Ice Skating Arena de Assago. Os azzurri somaram 22 pontos, ocupando a terceira posição provisória, atrás dos Estados Unidos (25) e do Japão (23). O resultado é fruto das contribuições equilibradas: 6 pontos de Charlène Guignard e Marco Fabbri na dança, 8 pontos de Sara Conti e Niccolò Macii nas duplas e uma atuação estelar de Lara Naki Gutmann no individual feminino.
O evento coletivo foi aberto pelo curto da dança, em que Guignard e Fabbri alcançaram 83,54 pontos. O segmento foi vencido pela dupla dos Estados Unidos, Madison Chock e Evan Bates. Apesar do resultado técnico sólido, a marca ficou ligeiramente abaixo do melhor da temporada apresentado pela dupla italiana e rendeu ao país o quinto lugar no segmento, equivalente a 6 pontos para o team event.
«Foi uma boa apresentação, mas há coisas que poderíamos ter feito melhor», avaliou Marco Fabbri em tom contido e preciso. «Infelizmente a pontuação não foi a que esperávamos, sobretudo em comparação com as duplas que nos precederam. A nossa prova foi marcada por energia e paixão. Ao contrário de outras duplas, que se limitam a executar o programa, nós procuramos vivê‑lo».
A sequência de rotina das duplas chilheu um novo alento quando Sara Conti e Niccolò Macii entregaram uma apresentação de alto nível. Com 76,65 pontos, a italiana ficou em terceiro lugar na prova de pares artísticos, somando 8 pontos para a equipe. A nota foi comemorada, mas deixou Macii com sensação de margem para mais.
«Eu esperava 80», disse Niccolò Macii, crítico com o próprio desempenho. «O twist, o lift e o salto em paralelo foram muito bonitos; tivemos uma pequena falha no pouso, mas a Sara não encostou as mãos no gelo. Para mim, poderíamos ter chegado aos 80 pontos, mas entendo que alguns dos elementos finais não foram fantásticos — mesmo assim, patinamos bem. Talvez eu esteja exigindo demais».
Mais comedida, Sara Conti ponderou a influência da pressão por pontuação: «Nós nunca pensamos em pontos. Porque, se pensa em 77, faz 75; se pensa em 75, faz 80. Às vezes julgamos um elemento como ruim e a nossa treinadora, Barbara, diz que era lindo».
O ponto alto do dia foi a performance de Lara Naki Gutmann, descrita como «estelar» pela equipe italiana. Gutmann admitiu surpresa com a própria marca: «Não esperava este recorde» — indicando tratar‑se de uma melhor marca pessoal que a posicionou com força na tabela do evento. A sua exibição trouxe frisson e sustentou a candidatura italiana à etapa decisiva.
O cronograma prevê que amanhã, sábado, Daniel Grassl entre em cena. Com os 5 pontos de vantagem que a Itália mantém sobre a França, atualmente em sexto lugar, a pressão sobre Grassl fica atenuada: essa margem preserva a posição dos azzurri na classificação do team event e reduz a necessidade de um resultado arriscado apenas para garantir a qualificação ao livre por medalhas.
Do ponto de vista coletivo, o day one confirmou algo que já se vê com frequência na história da patinação italiana: capacidade de construir resultados competitivos com equilíbrio entre disciplinas — dança, pares e simples feminino — em vez de depender de um único astro. Em termos de preparação para as provas individuais, a leitura não é diferente: a equipe interpreta o team event como um importante ensaio competitivo. «Foi um excelente treino», repetem técnicos e atletas, numa fórmula que mistura humildade e ambição.
Para os observadores que acompanham o esporte como fenômeno social, a exibição em Assago confirma também a maturidade de um sistema que soube combinar tradição técnica e renovação de talentos. A Itália chega, portanto, ao domingo com a reputação intacta e a expectativa de converter coesão em performance individual nas fases finais.






















