Por Riccardo Neri — A Guerrilla Games anunciou oficialmente Horizon Hunters Gathering, um novo título de ação cooperativa desenhado para equipes de até três jogadores e com elementos roguelike e narrativa dedicada. O projeto reforça a estratégia da marca de diversificar as camadas do seu universo pós-apocalíptico, mantendo a estética e as mecânicas que definiram a série Horizon.
Arquitetonicamente, Hunters Gathering funciona como uma peça que se encaixa no mosaico maior do franchise: combina o combate tático e preciso dos jogos principais com dinâmicas de equipe reativas e dependentes da habilidade individual. Os jogadores escolhem seus caçadores a partir de um roster com estilos de combate distintos, cada um com sua própria campanha narrativa e motivações. A progressão aposta em personalização profunda — funções específicas, upgrades e itens em estilo roguelike — para alterar as estratégias a cada sessão, transformando o jogo em um sistema repetível e adaptativo.
As primeiras modalidades apresentadas ilustram essa intenção de replay: Machine Incursion foca na defesa contra ondas de inimigos lideradas por um boss, enquanto Cauldron Descent propõe desafios em etapas dentro de ambientes mutáveis que recompensam times capazes de explorar passagens secretas e recursos valiosos. Esses modos funcionam como circuitos dentro da infraestrutura do jogo — camadas de desafio que testam tanto a coordenação quanto a descoberta.
Mesmo diante de uma revisão estratégica da Sony sobre títulos live service, Hunters Gathering faz parte de uma roadmap mais ampla que inclui o MMO Horizon Steel Frontiers e o projeto Marathon. Para jogadores que preferem experiências tradicionais, a Guerrilla Games confirmou uma modalidade para um jogador com companheiros controlados por inteligência artificial, garantindo que as narrativas solo — um dos pilares da identidade do estúdio — permaneçam vivas.
Do ponto de vista técnico, o título terá suporte nativo a crossplay e progressão compartilhada entre PlayStation 5 e PC, uma solução que reforça a lógica de rede entre plataformas e reduz atritos para a comunidade. Não foi divulgada uma data de lançamento definitiva; entretanto, a fase experimental começa no final de fevereiro com um playtest em escala reduzida via PlayStation Beta Program.
Como analista, interpreto Horizon Hunters Gathering como um movimento calculado: é uma expansão das camadas de produto da franquia que preserva os alicerces narrativos e mecânicos, enquanto introduz sistemas que aumentam a vida útil e o fluxo de dados entre jogadores. Em uma analogia urbana, o jogo funciona como uma nova linha de transporte que se conecta à malha já existente — aumenta a capilaridade do universo Horizon sem desmantelar suas infraestruturas centrais.
Em resumo, a chegada desse spin-off coop representa tanto uma diversificação da oferta quanto um teste de convivência entre formatos — solo, coop e estruturas persistentes — numa arquitetura de produto pensada para escalar sem perder as raízes narrativas que definiram o sucesso da série.

















