Milão abriu as portas para uma experiência que quer transformar olhares: a parada do tour itinerante organizada pela Lilly traz à cidade duas instalações imersivas que mesclam sensibilização, história e empatia. No centro desta mobilização está a Sio (Sociedade Italiana de Obesidade), representada por Roberto Vettor, que destacou a importância da iniciativa durante a inauguração.
Segundo Vettor — diretor científico e coordenador clínico do Centro para as doenças metabólicas e da nutrição no Humanitas Research Hospital de Milão — apoiar um evento tão bem estruturado é fundamental, sobretudo no campo da comunicação. “A comunicação é uma ferramenta essencial para aumentar a consciência sobre a obesidade“, afirmou. Ele lembrou que a obesidade é uma doença crônica e recidivante, reconhecida também pelas instituições, e que manifestações públicas ajudam a desmistificar estigmas e a promover práticas de cuidado.
O circuito em Milão conta com duas atrações principais: The Impossible Gym – Winter Edition, instalada na Piazza dei Mercanti, propõe um percurso sensorial que convida o público a experimentar, ainda que simbolicamente, as dificuldades do cotidiano enfrentadas por pessoas com obesidade. Ao mesmo tempo, o Fan Village na Piazza del Cannone oferece uma narrativa sobre a história da medicina moderna, conectando passado e presente, ciência e vida cotidiana.
Como observador atento do tempo e dos hábitos que moldam nosso bem-estar, vejo essa iniciativa como uma espécie de colheita de hábitos urbana: plantam-se perguntas, regam-se conversas e, espera-se, brotam mudanças de atitude. A instalação funciona não apenas como exposição, mas como um espelho sensível que reflete as raízes sociais e biológicas da doença, lembrando que a jornada do cuidado é tanto clínica quanto humana.
Para Vettor, a presença da Sio em eventos públicos é uma estratégia imprescindível. Apoiar e patrocinar propostas que combinam arte, interação e informação é uma forma de ampliar o alcance de mensagens clínicas complexas sem perder a dimensão humana. “A comunicação bem feita aproxima, educa e reduz o estigma”, disse ele, reforçando que o trabalho científico precisa encontrar a rua, o encontro e o cotidiano das pessoas.
O tom da campanha — sensível, imersivo e educativo — dialoga com a nossa respiração de cidade: é como assistir ao despertar de uma paisagem que lentamente aprende a cuidar de si. Através de instalações como The Impossible Gym, a cidade oferece um espaço de empatia, onde o visitante pode perceber que os desafios da obesidade são multifatoriais, exigindo políticas públicas, acompanhamento médico e mudanças culturais.
Enquanto o tour segue seu itinerário, fica o convite: caminhar por essas instalações é permitir que a experiência sensorial alimente a compreensão. Em tempos em que a velocidade do cotidiano tende a fragmentar olhares, iniciativas que celebram o encontro entre ciência e sociedade ajudam a recompor a paisagem do cuidado — palavra que, como as estações, precisa ser cultivada com paciência e sensibilidade.





















