Assinado por Alessandro Vittorio Romano para Espresso Italia — A curva da gripe continua a cair, pintando um quadro de alívio tímido na respiração coletiva da Península. Segundo o último boletim da vigilância RespiVirnet do Istituto Superiore di Sanità, até agora a temporada registrou cerca de 10,4 milhões de casos desde outubro.
Na semana de 19 a 25 de janeiro foram notificados 10,1 episódios de infecções respiratórias agudas por 1.000 habitantes, em queda face aos 11,3 da semana anterior. A redução é generalizada entre as diferentes faixas etárias, com uma exceção sensível: as crianças menores de quatro anos mantêm-se estáveis, com uma taxa de 40 casos por 1.000.
Geograficamente, as diferenças permanecem contidas. A intensidade é classificada como baixa na maioria das regiões italianas; Ligúria e Molise já alcançaram o nível basal, enquanto Puglia, Basilicata e Campânia ainda apresentam intensidade média.
Também diminuiu a circulação dos vírus influenzais: eles correspondem a cerca de 14% das amostras analisadas pelos laboratórios da rede de vigilância. O boletim destaca, de modo geral, que outros vírus respiratórios seguem em circulação, influenciando os ritmos da temporada.
Como observador atento dos ciclos que moldam o nosso bem-estar, vejo nessa desaceleração a metáfora de um outono tardio que cede espaço a um despertar mais calmo. A cidade respira de forma um pouco mais livre; a colheita de hábitos cuidados — lavagem das mãos, ventilação dos ambientes, atenção aos sintomas — começa a dar frutos na diminuição dos casos.
Ainda assim, o cenário pede vigilância. A estabilidade dos índices entre os pequenos de até quatro anos lembra que os vulneráveis continuam a demandar proteções extras: ambientes arejados, uso adequado de máscaras quando necessário e vacinação para quem é elegível. A temporada de gripe, mesmo quando em frenata, não se extingue como um vento súbito; ela se recolhe gradualmente, e cabe a cada comunidade acompanhar esse recuo com prudência.
O boletim do Istituto Superiore di Sanità é uma espécie de mapa do tempo interno do país: registra onde a circulação ainda se mantém e onde já se aproxima do nível basal. Para quem organiza escolas, lares de idosos ou serviços de saúde locais, essas indicações são bússola prática para ajustar rotinas e recursos.
Em suma: a gripe mostra sinais claros de desaceleração e a temporada, até agora, é de intensidade média, com mais de 10 milhões de casos contabilizados. Ainda que o vento pareça mudar, recomendo atenção continuada às medidas de proteção especialmente para crianças pequenas e grupos de risco — hábitos simples são as raízes do bem-estar coletivo.






















