Assisto, com o cuidado de quem observa a respiração das cidades e os ciclos íntimos do corpo, a um gesto simples que floresce onde a dor e a esperança se encontram: os laboratórios de beleza para mulheres em tratamento oncológico. Em 2025, mais de 1.000 participantes responderam a questionários que mostram um impacto profundamente humano dessas oficinas.
Os números falam com clareza e ternura. Segundo os questionários, 97,8% das mulheres consideraram muito útil o laboratório de beleza para valorizar a própria imagem; 77,6% disseram ter adquirido muita ou muitíssima confiança em si; 94,8% apreciaram o compartilhar com outras mulheres em tratamento; e 99,1% avaliaram o encontro como útil para enfrentar melhor a doença e as terapias. No conjunto, 98,5% das participantes declararam-se muito satisfeitas com a experiência.
Esses resultados confirmam que cuidar da aparência é também cuidar do espírito — uma pequena colheita de hábitos que alimenta a autoestima e promove o bem-estar. Não é vaidade vazia: é reconhecimento do corpo como território de identidade, mesmo quando a paisagem muda com ciclos de tratamento. As oficinas oferecem técnicas de maquiagem adaptadas, cuidados com a pele e um espaço para o acolhimento, onde o cuidado estético se entrelaça com a força emocional.
Desde 2007, a iniciativa italiana La forza e il sorriso Ets — versão nacional do programa internacional ‘Look Good, Feel Better’ — realizou cerca de 5.900 laboratórios de beleza gratuitos, apoiando aproximadamente 25.500 mulheres em tratamento oncológico. O projeto conta com o patrocínio da Cosmetica Italia, associação nacional das indústrias cosméticas, parte de Federchimica, e segue como exemplo de integração entre saúde e cuidados pessoais.
Como observador que traduz sensações em palavras, vejo nesses encontros uma pequena primavera: mulheres que, ao reaprender a tocar o próprio rosto, também reconstroem laços de confiança. O ato de se arrumar torna-se um rito de resistência, uma forma de colocar raízes no presente. Encontrar outras mulheres que trilham trajetos semelhantes transforma a solidão em diálogo e fortalece a capacidade de enfrentar bem os desafios terapêuticos.
Do ponto de vista prático, os workshops provêm ferramentas úteis — desde produtos dermatologicamente adequados para peles sensibilizadas até truques de maquiagem que respeitam cicatrizes e alterações temporárias. Mas o ganho maior é emocional: recuperar controle sobre aspectos cotidianos que a doença, por vezes, parece desordenar.
Para quem acompanha o cotidiano da saúde e do estilo de vida, essa prática é um lembrete de que o cuidado integral floresce quando entendemos o paciente como pessoa inteira, com desejos estéticos e necessidade de pertencimento. Os laboratórios de beleza não substituem tratamentos médicos, mas complementam o percurso terapêutico, oferecendo conforto, autoestima e um íntimo reencontro com a própria imagem.
Se a vida é feita de estações, essas oficinas plantam sementes de bem-estar que podem brotar mesmo nos invernos mais difíceis.






















