Milão e as montanhas em plena sintonia: um convite para descobrir a verdadeira Itália
Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 começaram na sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026, abrindo um capítulo onde o espetáculo desportivo se entrelaça com a promoção cultural e turística. Mais de 2.900 atletas de mais de 90 países estão competindo, e a delegação italiana conta com 196 atletas em 16 modalidades — números que traduzem energia, paixão e um palco global para o nosso Itália.
Mas, como bem explicou Alessandra Priante, presidente do Instituto Nacional Italiano de Turismo, à Euronews, estes Jogos vão muito além das pistas. São uma oportunidade rara para mostrar ao mundo a amplitude do turismo italiano, incluindo destinos que normalmente ficam fora dos roteiros das grandes capitais: vilarejos, vales, vinhedos e encostas que guardam segredos locais.
É a primeira vez que uma edição olímpica de inverno é oficialmente coorganizada por duas cidades, o que cria uma ponte — quase poética — entre a cidade e as montanhas. “Milão é claramente um dos pontos principais das Olimpíadas”, disse Priante, acrescentando que as competições nas alturas permitem revelar paisagens e experiências que muitos não escolheriam fora do calendário desportivo. Imaginem: a luz dourada de Milão pela manhã, depois o perfume dos vinhedos e a textura do tempo nas paredes das aldeias alpinas ao entardecer — questa è la bellezza.
Do ponto de vista económico, o impacto esperado é igualmente significativo. Uma análise do gabinete de estudos do grupo Banca Ifis estima que os Jogos possam gerar até 5,3 mil milhões de euros no total. Esse montante divide-se em 1,1 mil milhões correspondentes às despesas imediatas com atividades e serviços no local para os espectadores, 1,2 mil milhões a receitas turísticas diferidas no ano seguinte e 3 mil milhões ao valor a longo prazo derivado das novas infraestruturas. Mais de um milhão de visitantes estão previstos ao longo das competições, trazendo movimento para cidades, vilas e encostas.
Para quem, como eu, ama descobrir o Itália com olhar de local, estes Jogos são um convite ao Dolce Far Niente entre uma prova e outra: provar um risotto em Milão, perder-se numa trattoria escondida, caminhar por trilhas onde a neve escreve uma cartografia delicada. É a chance de transformar espectadores em viajantes, e turistas em amantes de experiências autênticas.
Andiamo: a temporada olímpica é um mapa vivo, uma vitrine que promove não só o desempenho atlético, mas também a hospitalidade sofisticada italiana — aquela que se sente no toque têxtil de um casaco alpino, no calor de um café em Piazza, na cordialidade de quem abre a porta do próprio lar. Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 prometem, portanto, muito mais do que medalhas: prometem revelar camadas da turismo italiano que esperam ser saboreadas.
Em suma, enquanto o mundo aplaude os saltos, as curvas e os tempos, permita-se também aplaudir a descoberta — porque os Jogos são uma janela, e através dela se vê não só o brilho do pódio, mas a vastidão de uma nação pronta para ser explorada, com suas montanhas, suas praças e seus segredos locais.
Buon viaggio e viva lo sport.






















