Por Giuseppe Borgo – Em Milão, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, recebeu na prefettura a delegação dos Estados Unidos liderada pelo vice-presidente J.D. Vance e pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio. O encontro, que ocorreu como parte da cerimônia inaugural das Olimpíadas, teve duração de duas horas e meia e foi seguido por um almoço de trabalho na mesma sede.
Ao abrir o encontro, Meloni destacou o relacionamento profundo e histórico entre Itália e Estados Unidos, observando que os dois eventos — a inauguração do papado de João Paulo II em Roma (mencionada em referência a um encontro anterior) e agora a cerimônia olímpica em Milão — simbolizam um conjunto de valores que unem Europa e Estados Unidos. “São dois eventos que contam um sistema de valores que mantém unidos Europa e Estados Unidos, que constituem a base da nossa cooperação, da nossa amizade e do futuro que queremos construir juntos”, afirmou a primeira-ministra.
Por sua vez, o vice-presidente Vance ressaltou o apreço pelos laços com a Itália: “É bom estar de novo neste belíssimo país. Amamos a Itália e os italianos. Vocês fizeram um trabalho extraordinário para os Jogos”. Vance também ressaltou que, no espírito olímpico, a competição se baseia em regras e valores partilhados, e que haverá diálogo sobre vários temas bilaterais e multilaterais.
Além da cerimônia e das corteses trocas de elogios, o conteúdo político do encontro foi claro e programático. Participaram também do encontro o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Segundo nota oficial de Palazzo Chigi, o coloquio “confermat a solidez do rapporto strategico tra Italia e Stati Uniti”, reforçando que essa relação se assenta em um parceria histórica e em laços entre os povos, bem como numa comunhão de posições sobre desafios globais prioritários.
Entre os temas abordados estiveram a segurança energética e a construção de cadeias de abastecimento seguras e confiáveis para minerais críticos — pontos centrais para a resiliência econômica e a autonomia tecnológica. Meloni e Vance também examinaram os principais dossiês de política internacional, com destaque para os recentes desdobramentos no Irã e na Venezuela, áreas onde a coordenação entre Roma e Washington é tida como estratégica.
O tom do encontro foi de confirmação e reconhecimento mútuo. No plano simbólico e prático, a visita do vice-presidente norte-americano serve como mais um tijolo na construção de uma ponte diplomática entre as capitais, reforçando os alicerces da cooperação transatlântica enquanto se discute segurança, economia e valores compartilhados.
Em nota complementar, Palazzo Chigi informa que, ainda durante o dia, Meloni recebeu o Presidente da República da Polônia, Karol Nawrocki, encontro que “confirmou o excelente estado das relações” entre os dois países.
Como observador atento às intersecções entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, destaco que encontros como este não são apenas protocolaridade: trazem consequências concretas para políticas de energia, investimentos e cadeias industriais que impactam empregos, preços e a capacidade produtiva nacional. A política externa, assim, é também arquitetura de cidadania — e o peso da caneta em acordos internacionais pode traduzir-se em benefícios ou restrições na rotina dos italianos e das comunidades imigrantes que convivem no país.






















