Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
Em uma conversa que mistura estilo, memória e o peso simbólico de um personagem, Meryl Streep abriu o bastidor do tão aguardado sequel de O Diabo Veste Prada em entrevista à Vogue. A atriz, que volta a encarnar a implacável diretora de Runway, Miranda Priestly, confessou que a experiência de calçar saltos altos durante as 16 semanas de filmagem foi mais do que incômoda: foi quase um trauma físico e psíquico.
“Eu quase tive um transtorno de estresse pós-traumático por usar salto alto por dezesseis semanas. Sinto que mereço uma medalha de valor”, disse Meryl Streep com o humor refinado que lhe é característico. A fala traduz o esforço físico que sustenta a construção de um ícone fashion que já ultrapassou o status de personagem para se tornar um verdadeiro espelho do nosso tempo.
Curiosamente, Meryl tinha esperança de usar calças, mas se rendeu a saias assinadas pela Dior que considerou “absolutamente fabulosas”. Mesmo assim, a atriz reconheceu que ver a Miranda de sapatilha ou tênis seria inconcebível. O figurino aqui funciona como um reframe da realidade: cada salto é um sinal de autoridade e performance social.
Além do desconforto físico, Streep comentou sobre como a rotina da personagem sofreu um ajuste sutil após duas décadas. “Tendo ocupado aquela posição por vinte anos, Miranda manteve seu estilo, mas o adaptou, como nós fazemos com o tempo”, explicou. A ideia de abrir o armário e se perguntar ‘será que ainda me cai bem?’ revela um roteiro oculto sobre envelhecimento, imagem e reinvenção, temas que fazem o filme ressoar além da moda.
O retorno às locações clássicas também teve um sabor de deslocamento histórico. Onde, em 2006, passava quase despercebida pela Sexta Avenida, a equipe agora foi recebida por multidões com smartphones e paparazzi. Meryl descreveu um verdadeiro boato humano ao sair do trailer, e a cena do Met Ball trouxe uma reação ainda mais frenética. A cultura digital transformou cada set em um palco amplificado, e a iconografia de Miranda Priestly ganhou uma legião que a reproduz até nas roupas do público.
O impacto de rever a personagem também atingiu Anne Hathaway, que retorna como Andy Sachs. Hathaway contou que, ao ver Meryl caminhando a alguns metros de distância, a sensação foi quase psicodélica. “Parece que muitos portais se abriram, senti-me com 22 anos novamente, mas no agora”, disse ela, lembrando a mistura de nostalgia e presente que orienta o filme. Felizmente, segundo Hathaway, Meryl não permaneceu no personagem o tempo todo e houve muitas risadas no set.
O novo longa, que chega aos cinemas em 1 de maio, promete ser mais do que uma continuação: é um estudo sobre como a cultura da moda projeta autoridade, como a fama se transforma com a era digital, e como os gestos mais cotidianos — como escolher um sapato — carregam um valor simbólico enorme. Em suma, a volta de Miranda Priestly é uma chance de ler o cenário de transformação que vivemos, com a mesma elegância cortante que só Meryl Streep sabe dar ao seu ofício.






















