Havana, 06 de fevereiro de 2026 — Em um gesto calculado no tabuleiro das relações internacionais, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel declarou-se aberto a um diálogo direto com o governo de Donald Trump, ao mesmo tempo em que condenou as medidas americanas que estão asfixiando o abastecimento energético da ilha.
Em pronunciamento transmitido em rede nacional, Díaz-Canel sublinhou a disponibilidade de Cuba para negociar qualquer pauta com Washington, desde que essas conversas ocorram sem pressões e com pleno respeito à soberania nacional. A declaração ocorre em meio a uma nova ronda de sanções e a um embargo direcionado ao petróleo consumido por Cuba — medidas estas que, segundo Havana, agravam carências de combustível e impactam serviços essenciais.
O presidente cubano denunciou a dimensão humanitária e econômica do cerco: afetando alimentação, transportes, hospitais, escolas e a produção industrial. “Adotaremos medidas que, ainda que não permanentes, exigirão esforços”, afirmou, questionando retoricamente quais passos adicionais caberiam ao país frente a esta pressão externa.
Fontes e reportagens indicam que a administração Trump assinou um decreto executivo classificando a situação como “emergência” para a segurança dos Estados Unidos, e que contempla medidas punitivas contra países que forneçam petróleo a Cuba — em particular medidas contra vínculos energéticos com fornecedores como Rússia, China e Irã, segundo relatos. Washington também acusou Havana de albergar capacidades militares e de inteligência de atores que considera hostis.
Como resposta prática, o governo cubano anunciou um plano emergencial para mitigar a escassez de combustíveis, que será lançado na semana seguinte, e afirmou que, embora não esteja em estado de guerra, está preparando um “plano de defesa” caso seja necessário um deslocamento para um regime de conflito. A retórica de preparação convive, assim, com uma abertura diplomática conciliatória.
Paralelamente, circulam informações de que setores da administração americana estariam buscando interlocutores dentro do aparato cubano com vistas a favorecer uma transição política — um cenário de “regime change” que, conforme fontes citadas, alguns estrategistas norte-americanos esperam ver concretizado até o fim de 2026. Havana rejeita tal hipótese e reforça a legitimidade de suas instituições.
Do ponto de vista geopolítico, trata-se de um movimento de alto risco em um tabuleiro em que as peças estão espalhadas entre hemisférios: por um lado, a Casa Blanca pressiona para isolar economicamente a ilha e minar suas linhas de sustentação externa; por outro, Havana busca manter canais de abastecimento e apoio diplomático, preservando os alicerces da sua soberania.
Minha leitura como analista é que esta abertura ao diálogo é simultaneamente genuína e estratégica. É um convite condicionado: Cuba demonstra vontade de negociação, mas marca um limite estratégico onde a soberania e a dignidade nacional não podem ser moeda de troca. É um movimento de xadrez que procura ganhar tempo, resguardar posições e, ao mesmo tempo, projetar à comunidade internacional os custos humanos de uma escalada de pressão.
Enquanto as peças se deslocam, a tectônica de poder na região volta a se redesenhar: escolhas de Washington e resistências de Havana terão efeitos sobre cadeias de abastecimento, alianças regionais e o equilíbrio de influências entre potências que observam a cena com interesse calculado.






















