Em uma cerimônia que mistura protocolo, história e simbolismo diplomático, o presidente Sergio Mattarella recebeu nesta tarde no Palazzo Reale de Milão cerca de 60 monarcas e chefes de Estado e de Governo antes da abertura oficial das Olimpíadas Milano‑Cortina 2026. O encontro, realizado no palácio que se situa ao lado do Duomo, reuniu — no total do coquetel — mais de 120 convidados, numa antecâmara festiva para a cerimônia prevista para as 20h.
O Palazzo Reale não é apenas um cenário elegante: é um espelho histórico da própria Milão. Erguido em suas origens no século XII, transformado em palácio ducal por Visconti e Sforza e reconfigurado no século XVIII por Giuseppe Piermarini em estilo neoclássico, o edifício concentra camadas de poder e de representação cívica. A famosa Sala delle Cariatidi — única sala que resistiu aos bombardeios de 1943 — conserva suas 40 cariátides e as decorações barrocas teresianas; hoje o complexo funciona também como polo expositivo, com pátios, jardins e fachadas austeras que reiteram a magnificência histórica de Milão.
Do ponto de vista protocolar e político, a recepção organizada pelo Presidente da República tem duplo propósito: celebrar os valores olímpicos e reforçar laços bilaterais num momento de visibilidade internacional. Fontes jornalísticas indicam presenças confirmadas de líderes de cerca de 51 delegações entre as 93 nações participantes. A lista oficial, como de costume, não foi divulgada em um rol único, mas foi possível identificar chegadas e protocolos que confirmam participantes de peso.
Entre as delegações estrangeiras, a representatividade multilaterais e bilaterais salta aos olhos: o secretário‑geral da ONU António Guterres, a presidente da Assembleia Geral da ONU Annalena Baerbock, o diretor da FAO Qu Dongyu e a presidente do Parlamento Europeu Roberta Metsola foram citados entre os presentes. A delegação dos Estados Unidos compareceu em grande esquema de proteção — com o vice‑presidente JD Vance (acompanhado da esposa Usha), o secretário de Estado Marco Rubio e o embaixador Tilman Fertitta desembarcando em Malpensa com escolta robusta.
Vários chefes de Casa Real e princípes marcaram presença: o rei Filippo (Bélgica), o rei Harald V (Noruega), o rei Gustavo e a rainha Silvia (Suécia), o rei Guilherme Alexandre e a rainha Máxima (Holanda, com a princesa Amália), Alberto e Charlene (Mónaco) e o rei Felipe e a rainha Letizia (Espanha, acompanhados das princesas Leonor e Sofia). Do Reino Unido estiveram a princesa Ana e o príncipe Eduardo. Entre convidados extra‑europeus, destacam‑se o emir do Qatar Tamim bin Hamad al‑Thani, o príncipe herdeiro do Butão Wangchuck, o príncipe da Jordânia Faisal bin Hussein e a rainha Suthida (Tailândia).
Também compareceram líderes e representantes de países europeus do Leste e do Norte, entre eles Edgars Rinkēvičs e Evika Siliņa (Letônia), Alexander Stubb e Petteri Orpo (Finlândia), Karol Nawrocki (Polónia), Frank‑Walter Steinmeier (Alemanha), Petr Pavel (República Tcheca), Iliana Iotova (Bulgária), Guy Parmelin (Suíça) e Mikheil Kavelashvili (Geórgia). Figuras como Kyriakos Mitsotakis (Grécia), Inga Ruginiene (Lituânia), Duro Macut (Sérvia) e Christian Stocker (Áustria) foram registradas, além de representantes da Estónia, Polónia e Hungria.
Se o gesto — receber chefes de Estado num palácio histórico antes de uma cerimônia desportiva — tem, por si só, um caráter de protocolo, ele também espelha a maneira como o Estado italiano projeta a imagem das Olimpíadas: não apenas como evento desportivo, mas como vitrine de diplomacia, turismo e potência cultural. Em sentido mais amplo, a presença de monarcas e líderes internacionais em Milão realça a ideia de que megaeventos transformam cidades em palco de narrativas políticas e memoráveis.
Para observadores que leem o esporte como fenômeno social, o coquetel no Palazzo Reale foi menos sobre selfies protocolares e mais sobre reafirmação de papéis — um encontro entre símbolos de autoridade que, por algumas horas, colocaram Milão no centro de uma geografia global onde esporte, cultura e política se sobrepõem.






















