Marco Severini — Em reunião realizada em 5 de fevereiro de 2026, o Conselho de Administração da Enel examinou os resultados consolidados preliminares referentes ao exercício de 2025. O Grupo reportou receitas de €80,4 bilhões (+1,9% vs 2024), EBITDA ordinário de €22,9 bilhões (+2,2%) e endividamento financeiro líquido de €57,2 bilhões (+2,5%).
Os receitas de 2025 cresceram em €1,5 bilhão, impulsionadas principalmente pelas maiores receitas da venda de commodities no mercado wholesale, num contexto de preços médios superiores aos do ano anterior, além da melhora nas receitas das redes. Esses efeitos mais que compensaram a queda dos preços médios aplicados aos clientes retail residenciais e às pequenas e médias empresas, a menor quantidade de energia vendida a clientes “Top” — especialmente na Itália — e a redução da geração renovável devido à menor disponibilidade hídrica.
O EBITDA ordinário ao final de 2025 totalizou €22,9 bilhões, um aumento de €0,5 bilhão quando ajustado para excluir efeitos de variação de perímetro de €0,4 bilhão registrados em 2024. Esse avanço foi sustentado pelo contributo positivo das operações internacionais e pelo desempenho do negócio de redes.
O EBITDA ordinário atribuído aos negócios integrados (Enel Green Power, geração termelétrica e mercados finais) alcançou €14,1 bilhões, recuando €0,6 bilhão em relação a 2024. A contração explica-se pela menor disponibilidade de recursos renováveis — sobretudo hídrica —, pela compressão de margens nas operações de venda wholesale de commodities energéticas e pela redução de contribuição das vendas a clientes finais, particularmente no mercado italiano, motivadas por preços médios inferiores e volumes vendidos menores.
Em contraponto, o segmento Enel Grids registrou um EBITDA ordinário de €8,9 bilhões, incremento de €0,9 bilhão sobre 2024, resultado essencialmente associado à forte aceleração dos investimentos inaugurada em 2023.
Nos termos dos resultados preliminares, confirma-se a comunicação prévia ao mercado sobre a previsão de lucro líquido ordinário do Grupo para 2025, que deve situar-se ligeiramente acima da extremidade superior do guidance — faixa entre €6,7 e €6,9 bilhões.
O endividamento financeiro líquido no fim de 2025 foi de €57,2 bilhões (ante €55,8 bilhões em 2024, +2,5%). Os fluxos de caixa operacionais e os efeitos líquidos positivos provenientes da emissão de novos títulos subordinados híbridos perpetuos praticamente compensaram as necessidades de financiamento associadas aos investimentos do exercício.
Do ponto de vista estratégico, os números sinalizam um movimento tático no tabuleiro: maior resiliência nas redes e nas frentes internacionais, enquanto as volatilidades climáticas e de mercado comprimem margens nas operações integradas. A Enel transita por um momento em que os alicerces do seu crescimento futuro repousam tanto na expansão controlada dos investimentos em rede quanto na capacidade de mitigar choques de volume e preço nas renováveis e no varejo energético.
Estes são dados preliminares que consolidam a posição da empresa no centro de uma tectônica de poder energético global em transformação; ajustes finos na alocação de capital e na gestão de portfólio serão determinantes para traduzir essa performance em valor sustentável para acionistas e stakeholders.






















