Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: a Itália chega ao fim de semana com duas realidades meteorológicas distintas. De um lado, a boa notícia para as Olimpíadas; do outro, a emergência provocada por chuvas persistentes no Sul.
O quadro, segundo os principais serviços meteorológicos consultados e especialistas, mantém o país dividido. No Norte e nas áreas alpinas, as últimas 24-48 horas registraram uma significativa deposição de neve, favorecendo a realização das competições e criando condições técnicas favoráveis nas sedes de montanha. Em Cortina e ao longo do arco alpino, relato de equipe técnica e dados de acúmulo confirmam um manto fresco e abundante.
No contexto urbano, as condições melhoram rápido: em Milão, a perturbazione que atingiu a região nas primeiras horas afasta-se para leste e o céu deve abrir após as chuvas da manhã, garantindo uma cerimônia de abertura em San Siro, às 20:00, predominantemente seca e com temperaturas em torno de 5-6°C. Fontes locais e medições de estações meteorológicas corroboram essa tendência de rápida attenuazione europeia.
Porém, o panorama nacional permanece crítico no Centro-Sul. Um fluxo atlantico persistente continua a veicular sistemas carregados de chuva sobre solos já saturados. As regiões mais atingidas — Campânia, Calabria e Basilicata — estão em alerta idrogeológica. Observações pluviométricas indicam que, em pontos locais, os acumulados poderão superar 100 mm em 48 horas, com risco elevado de escorrimentos, colapsos de taludes e inundações urbanas isoladas.
O fim de semana manterá essa divisão: Norte com maior presença de sol e condições “olímpicas” nas montanhas; Centro e Sul sob o guarda-chuva do maltempo. A transição para uma fase mais estável, associada a um aumento de pressão, não é imediata: as análises de modelos indicam que só a partir de meados do mês há probabilidade maior de arrefecimento do registo perturbado, e ainda assim de forma desigual pelo território.
Além disso, atenção ao curto prazo: uma nova perturbação de relevância é prevista para segunda-feira, seguida por outros dois frentes atlânticos entre quarta e quinta-feira e outro no fim de semana subsequente. Depois de um período dominado por massas de ar úmidas originárias da Península Ibérica e França, a partir de 14 de fevereiro há sinalização dos modelos para a chegada de aria artica continental vinda de Rússia e Finlândia. Caso o ar frio atravesse os Alpes, não se exclui queda de neve em planícies da Bacia do Pó e acentuado frio no Norte — uma mudança brusca no cenário meteorológico.
Previsão por dia (síntese):
- Sexta-feira, 6 — Norte: últimas chuvas pela manhã no setor leste; melhora rápida no Noroeste, inclusive Milão. Centro: maltempo matinal, com incidência no Lácio e Sardenha. Sul: chuvas e aguaceiros fortes, principalmente em Campânia e Calabria.
- Sábado, 7 — Norte: predomínio de nuvens, chuvas fracas no Triveneto. Centro: piora a partir da Sardenha em direção ao continente. Sul: intensificação do maltempo no Tirreno inferior e Puglia.
- Domingo, 8 — Norte: céu com pouco sol, piora possível em Piemonte e Liguria; Centro-Sul: condições adversas persistem em áreas já afetadas.
Conclusão factual: o país segue partido entre uma zona de neve e relativa calma no Norte e uma faixa sulista onde a chuva continua a representar ameaça e demanda vigilância institucional. A recomendação técnica das autoridades e dos serviços meteorológicos consultados é manutenção de monitoramento contínuo e prudência nas áreas de risco.
Relato assinado, com cruzamento de fontes e verificação técnica — Giulliano Martini, correspondente da Espresso Italia.






















