Por Giulliano Martini
Em uma ação direta de forte teor político, a street artist Laika instalou em frente à sede do CONI, no viale Tiziano em Roma, um poster-denúncia intitulado “Ice out”. A peça expõe a controvérsia sobre a participação da agência americana ICE (Immigration and Customs Enforcement) nos Jogos Olímpicos Milano-Cortina 2026, e foi colocada como protesto público contra o que a artista define como incompatibilidade entre a missão olímpica e as práticas da agência.
O cartaz mostra um agente da ICE apontando uma arma contra um saltador de esqui (ski jumper), ao fundo uma montanha invertida e o emblema olímpico alterado: o círculo vermelho transformado em uma mira. A imagem foi acompanhada por uma nota em que Laika qualifica a presença da agência nos Jogos como “inaceitável” e faz referência a episódios recentes que, segundo ela, revelam “o rosto real” da instituição—operações que descreve como violentas e racializadas.
Na mensagem pública, a artista cita casos de violência atribuídos a agentes da ICE, citando nomes e episódios que têm mobilizado críticas nos Estados Unidos. Laika sustenta que a presença da agência no evento olímpico contraria valores basilares da Carta Olímpica, como a solidariedade e a luta contra discriminações, e contesta a ideia de que a questão seja exclusivamente de competência de Estados e governos, apontando omissão do esporte institucional.
Em seu pronunciamento, a artista também critica diretamente figuras do movimento esportivo internacional e italiano. Ela acusa o ex-presidente do CONI, Giovanni Malagò, e a presidente do COI, Kirsty Coventry, de não terem tomado uma posição firme coerente com os valores proclamados pelo movimento olímpico. “Faz raiva que não tenham adotado uma posição nítida e coerente com seus valores”, afirmou Laika em publicação nas redes sociais, segundo registro público do poster.
Além da intervenção gráfica diante do prédio do CONI, a iniciativa inclui um chamado à mobilização: a artista convoca para a manifestação “Mobilitiamo la città – ICE OUT“, programada para 6 de fevereiro, às 9h30, na Praça Leonardo da Vinci, em Milão. O evento busca reunir ativistas, organizações de direitos humanos e setores do mundo esportivo contrários à presença da ICE nos Jogos.
O episódio reforça uma disputa simbólica em torno da organização de Milano-Cortina 2026, na qual a segurança e a imagem institucional do evento estão no centro de debates internacionais. Como repórter, registro os fatos brutos: a obra foi afixada em local público, acompanhada de declarações públicas da artista e do anúncio de manifestação. A verificação das alegações sobre incidentes específicos envolvendo a ICE exige o cruzamento de fontes judiciais e jornalísticas nos Estados Unidos, procedimento em curso por parte desta redação.
Apuração in loco e cruzamento de fontes permanecem prioridades. A peça de Laika soma-se às reações de parte do mundo do esporte e da sociedade civil e antecipa um debate público que tende a ganhar intensidade com a proximidade dos Jogos.






















