Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes: o confronto entre Fabrizio Corona e a emissora Mediaset escalou nesta semana para uma disputa jurídica de grande magnitude. A empresa de mídia acionou plataformas digitais e, na sequência, anunciou ações civis por danos que somam 160 milhões de euros contra o influenciador e empresas a ele vinculadas, enquanto prepara uma contro-querela por calúnia.
Os acontecimentos se aceleraram após a remoção, no início da semana, dos perfis sociais de Fabrizio Corona e dos episódios do projeto “Falsissimo“. As exclusões — incluindo o perfil de Instagram com grande alcance — foram operacionalizadas por Google, Meta e TikTok a partir de iniciativa do departamento jurídico da Mediaset, com base nas políticas das plataformas relativas a direitos autorais, difamação, dignidade pessoal, privacidade e mensagens de ódio.
Na manhã em que tentou uma reaparição rápida nas redes, Corona voltou a ficar inacessível após nova intervenção das plataformas. Em resposta, seu advogado, Ivano Chiesa, publicou um vídeo no Instagram em que afirmou que o cliente “está muito irritado” e pretende denunciar a Mediaset por “tentativa de extorsão” ou por qualquer outro crime que a Procuradoria identifique.
Segundo Chiesa, a denúncia se refere a comunicações que a emissora teria enviado a gestores de casas noturnas, orientando-os a vigiar comportamentos de frequentadores e sugerindo que, ao convidarem determinadas pessoas, as casas noturnas poderiam se tornar corresponsáveis por condutas consideradas ultrajantes. O advogado sustenta que, ainda que o nome de Fabrizio Corona não tenha sido citado explicitamente, a referência seria inequívoca e configuraria um “grave” gesto de silenciamento que afeta não apenas a liberdade de expressão, mas também o direito ao trabalho.
Fontes próximas à Mediaset consultadas nesta apuração dizem que a empresa considerou as publicações do projeto Falsissimo — e as manifestações atribuídas a Corona — como um conjunto de “mentiras, falsidades e insinuações” que atingiram pessoas, familiares e entidades envolvidas. Por essa razão, a emissora e indivíduos lesados, juntamente com MFE – MediaForEurope, decidiram mover ações civis por danos reputacionais e patrimoniais no montante reclamado.
Em paralelo, as mesmas fontes informam que uma contro-querela por calúnia está em preparação contra Corona, em razão das declarações do seu advogado. A Mediaset também nega ter imposto qualquer veto formal às discotecas: ressalta-se que não há clareza, segundo a empresa, sobre onde residiria o crime de tentativa de extorsão apontado por Chiesa.
O caso abre um quadro jurídico complexo que mistura medidas de plataformas digitais baseadas em políticas internas e uma litigância convencional dirigida a reparar danos. Em linguagem direta: tratam-se de fatos brutos sujeitos agora ao crivo do Direito, com pedidos bilionários e acusações cruzadas que alimentam um processo jurídico de alta exposição pública.
O desfecho imediato dependerá de duas frentes: a validação judicial das reclamações por parte das vítimas e a eventual ação penal que o gabinete do promotor entenda por cabível diante das alegações de tentativa de extorsão e das contranotificações por calúnia. Nesta fase, os documentos enviados às plataformas e às casas noturnas serão peças centrais para comprovar intenção e nexo causal.
Seguiremos a apuração com foco na documentação legal apresentada, no teor das comunicações atribuídas à Mediaset e nas respostas formais da defesa de Fabrizio Corona. A realidade traduzida: trata-se de uma disputa que transita entre os tribunais e os circuitos de moderação das grandes plataformas — um raio-x do cotidiano digital e jurídico italiano em plena visibilidade pública.






















