Por Marco Severini — Uma sequência de homicídios contra pessoas em situação de rua em Los Angeles, todos ocorridos na mesma zona de Compton Creek, levou investigadores a considerar a hipótese de um serial killer. O padrão temporal e geográfico dos casos — entre outubro de 2025 e janeiro de 2026 — abre um novo capítulo na já delicada tectônica de segurança urbana da cidade.
De acordo com relatório da ABC e apurações da equipe de homicídios de Los Angeles, o primeiro episódio remonta a 5 de outubro de 2025. A vítima, identificada como Michelle Steele, 52 anos, sofreu ferimento na cabeça e veio a falecer no hospital em 12 de novembro. Três semanas depois, em 4 de dezembro, Octavio Arias, também 52 anos, foi encontrado morto na mesma região, com trauma craniano e no pescoço descritos no laudo policial.
O terceiro episódio, de maior repercussão pública, envolveu Kevin Johnson, ex-campeão de futebol americano, de 55 anos, cujo corpo foi localizado em 21 de janeiro em um acampamento de sem-teto, apresentando ferimentos provocados por objeto contundente e perfurações por faca. Por fim, em 26 de janeiro, Mauro Alfaro, cerca de 50 anos, foi assassinado igualmente com um objeto contundente.
No momento, não existem provas conclusivas que vinculem formalmente os quatro homicídios a um único autor. As autoridades, porém, enfatizam os elementos sobrepostos: a proximidade geográfica das cenas, o perfil das vítimas — todas em situação de rua — e a semelhança dos mecanismos lesivos. Peritos e investigadores adotam, portanto, uma leitura cautelosa, trabalhando tanto a hipótese de ação de um agressor repetido quanto a possibilidade de episódios descontínuos relacionados a crimes locais ou conflitos ligados ao tráfico.
Do ponto de vista estratégico, trata-se de um movimento que fragiliza os alicerces da proteção social: ataques a populações vulneráveis funcionam como sintoma de falhas institucionais e de uma margem de impunidade em certos territórios urbanos. Nas palavras da equipe investigativa, a prioridade é identificar um possível motivo — seja um assalto que escalou, um crime por ódio direcionado às pessoas em situação de rua ou a ação de um residente com postura violenta contra acampamentos.
Enquanto isso, a polícia busca padrões forenses, registros de vídeo, testemunhas locais e relações entre as vítimas que possam revelar um fio condutor. Em termos de investigação, as ocorrências formam um cluster no mapa da cidade que exige um movimento decisivo no tabuleiro: coordenar inteligência de rua com análise criminal para não apenas apontar um autor, se houver, mas também desarmar os riscos que permanecem sobre a comunidade.
Esta sequência trágica levanta, igualmente, uma questão de política pública. Ao expor a vulnerabilidade sistemática de quem vive na rua, impõe-se o redesenho de respostas do poder público — desde operações de salvaguarda dos acampamentos até programas sociais de longo prazo — para evitar que as fraturas da segurança urbana continuem produzindo vítimas. A investigação prossegue; a cidade, por ora, permanece em alarme.






















