Por Alessandro Vittorio Romano — Há um pequeno turbilhão no ritmo tranquilo da Vila Olímpica em Milano-Cortina: quatro jogadoras da seleção feminina da Finlândia de hóquei no gelo foram contaminadas pelo norovírus. Para proteger o grupo, treinos e compromissos com a imprensa foram cancelados, as atletas afetadas e suas colegas de quarto foram isoladas, e os ambientes passaram por limpeza e desinfecção imediatas.
O impacto prático é direto: a partida contra o Canadá, originalmente marcada para 5 de fevereiro, foi adiada para 12 de fevereiro. A Federação finlandesa precisa garantir no mínimo 17 jogadoras em campo, incluindo dois goleiros, e já está em contato com a Federação Internacional para avaliar possíveis exceções — porque remarcar jogos em um torneio é sempre uma manobra complexa. Mesmo assim, o treinador Tero Lehterä mantém a voz calma: a meta permanece a mesma, vencer as partidas decisivas do torneio.
Para entender o que entrou na respiração compartilhada da vila, é útil escutar quem estuda esses episódios. O norovírus é um vírus de RNA de fita simples, conhecido também como “vírus de Norwalk”, pela epidemia ocorrida em Norwalk, Ohio, em 1968. Segundo o Istituto Superiore di Sanità (ISS), o período de incubação costuma variar entre 12 e 48 horas; a fase aguda pode ser breve — cerca de 12 horas — ou se estender até mais de quatro dias (até 60 horas).
Os sinais são os mesmos da maioria das gastroenterites: náuseas, vômitos (mais frequentes em crianças), diarreia aquosa e cólicas abdominais, por vezes acompanhadas de febrícula. Na maioria dos casos, a doença não provoca consequências graves e as pessoas recuperam em 1–2 dias sem complicações. O tratamento é de suporte: hidratação abundante e repouso — não existe tratamento antiviral específico nem vacina de uso generalizado contra o norovírus.
Os números globais explicam por que controlá-lo é um desafio: cerca de 685 milhões de infecções por ano no mundo. A transmissão ocorre frequentemente por alimentos ou água contaminados, mas também por alimentos que foram manipulados por alguém infectado. E, crucialmente, o norovírus resiste por semanas em superfícies e mesmo a temperaturas elevadas, tornando maçanetas, torneiras e balcões potenciais vetores — como lembra o virologista Fabrizio Pregliasco. Em locais fechados e compartilhados, como a Vila Olímpica, esse pequeno inimigo encontra terreno fértil.
Qual é a colheita prática desse episódio para quem vive a cidade e para atletas em viagem? Regras simples de higiene fazem a diferença: lavar bem as mãos antes de manipular alimentos, higienizar e desinfetar superfícies, lavar tecidos e utensílios com atenção. O ISS recomenda também escolher alimentos de origem certificada — especialmente quando se trata de itens pouco cozidos, como frutos do mar ou verduras frescas.
Enquanto a equipe finlandesa se reorganiza e a vila respira a contenção, é útil lembrar que, como em um ciclo natural, cuidar do ambiente imediato é cuidar do corpo coletivo. Pequenos gestos — a água que repomos, a desinfecção de uma maçaneta, a pausa para o repouso — são as raízes do bem-estar que sustentam grandes objetivos esportivos.
Continuarei acompanhando a evolução do caso em Milano-Cortina e trazendo atualizações sobre medidas sanitárias, impactos nas competições e conselhos práticos para quem circula por espaços compartilhados durante eventos de grande porte.






















