Papa dirigiu-se ao Comitê organizador da iniciativa “From Crisis to Care: Catholic Action for Children” com palavras diretas e de forte apreensão sobre a situação global da infância. Em discurso oficial, afirmou que é “realmente uma tragédia” que tantas crianças e jovens sejam privados de cuidados, de acesso a bens básicos e de oportunidades para desenvolver o potencial que lhes foi confiado.
O pronunciamento recorda os trabalhos do Summit International on Children’s Rights promovido no ano passado pelo Papa Francisco, cuja continuidade é o foco do atual encontro. Segundo o Pontífice, não houve melhorias significativas no último ano nos esforços para proteger as crianças dos riscos crescentes: “vejo que a situação dos crianças hoje não melhorou no último ano, e é motivo de profunda preocupação constatar a falta de progressos na proteção dos crianças contra os perigos”.
O Papa questionou ainda se os compromissos globais para o desenvolvimento sustentável foram deixados de lado diante da realidade de tantos menores que vivem em pobreza extrema, são vítimas de abusos, estão forçadamente deslocados, sem acesso a uma educação adequada ou separados das suas famílias. “Devemo-nos perguntar se os compromissos globais para o desenvolvimento sustentável foram deixados de lado quando vemos na nossa família humana global que tantos crianças ainda vivem em extrema pobreza, sofrem abusos e são deslocadas”.
O discurso sublinhou a ênfase do Papa Francisco no direito da criança a receber amor e cuidado de uma mãe e de um pai, considerando ambos necessários para um desenvolvimento integral e harmonioso. A defesa da família como guardiã responsável da vida foi reforçada: é deplorável, disse o Papa, quando recursos públicos são destinados a medidas que suprimem a vida em vez de apoiar mães e famílias.
O Pontífice saudou o compromisso do comitê em desenvolver mecanismos eficazes para responder às observações trazidas ao Summit sobre os direitos das crianças. Ao indicar prioridades, destacou dois pontos cruciais. Primeiro, que os participantes falam em nome daqueles que não têm voz — um papel nobre que deve ser preservado mesmo diante de iniciativas que fracassem, da falta de interesse alheio ou da sensação de ausência de progresso.
O segundo ponto enfatiza a necessidade de atenção às necessidades transversais das crianças, que podem ser negligenciadas quando o auxílio se concentra apenas em uma área específica. O Papa reconhece que cada organização aborda os problemas segundo seus carismas e especializações — desde estruturas locais da Igreja, congregações religiosas até organizações de inspiração católica — mas exorta uma colaboração mais harmônica, para garantir que a assistência às crianças seja equilibrada e leve em conta o bem-estar físico, psicológico e espiritual.
No final do seu discurso, o Papa mencionou o papel de órgãos vaticanos como o Dicastero para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral e a Pontifícia Academia para a Vida na articulação dessas respostas, reforçando a importância de um trabalho coordenado entre instâncias e organizações para transformar as declarações do Summit em ações concretas.






















