ROMA, 05 de fevereiro de 2026 — Em um passo que parece alinhar a respiração da cidade com o ritmo do corpo, foi aprovado hoje na Conferência Estado-Regiões o protocolo de entendimento entre o Ministério da Cultura e o Ministério da Saúde que prevê a prescrição da arte como instrumento de cuidado. A iniciativa foi apresentada pela subsecretária da Cultura, Borgonzoni, que destacou o papel vibrante da cultura no bem-estar individual.
Segundo a subsecretária, “as obras de arte, as literárias e cinematográficas, a música, os espetáculos teatrais, as atividades nos museus e nos parques arqueológicos: a cultura é um recurso vivo e fruí-la incide positivamente no bem-estar do indivíduo, com efeitos concretos demonstrados em termos de melhoria da qualidade de vida”. É dessa consciência — como uma colheita lenta que nutre o corpo e a mente — que nasce o novo protocolo.
O documento, que recebeu hoje o aval dos governos regionais, pretende reconhecer formalmente a capacidade da cultura de acompanhar tratamentos médicos, oferecendo ações culturais como complemento terapêutico. Para transformar iniciativas locais em modelos replicáveis, será constituído um Tavolo tecnico que fará o censo das numerosas experiências já em curso no território nacional, preservando o que funciona e semeando práticas que possam ser ampliadas.
É importante sublinhar que o arsenal cultural referido não é simbólico apenas: inclui a fruição de exposições, leituras, sessões de cinema, concertos e atividades educativas em espaços patrimoniais. A proposta busca inserir essas experiências no circuito de cuidados, reconhecendo que a exposição à arte pode mitigar sintomas, melhorar a qualidade de vida e fortalecer redes sociais de apoio — como um jardim que, ao ser cuidado, favorece o florescer das pessoas.
Para além do reconhecimento institucional, o desafio agora é operacional: mapear práticas, estabelecer protocolos clínicos e culturais integrados, formar profissionais capazes de trabalhar na interseção entre saúde e cultura, e avaliar resultados com critérios claros. O protocolo quer, portanto, ser tanto um quadro orientador quanto um motor para experimentações fundamentadas.
Como observador atento dos signos cotidianos, percebo neste acordo uma mudança de estação na forma como a sociedade italiana entende cuidado: não mais reduzido ao gabinete e ao prontuário, mas ampliado às salas de museu, às praças e às trilhas sonoras que nos acompanham. A proposta de prescrever arte é um convite para escutar o tempo interno do corpo através das imagens, dos sons e das narrativas que habitam nossas cidades.
Fica, portanto, o horizonte: transformar as iniciativas dispersas em um sistema capaz de oferecer, com segurança e eficácia, experiências culturais integradas a processos terapêuticos. O protocolo aprovado hoje é uma semente — cabe ao Tavolo tecnico, às regiões, às instituições culturais e aos profissionais de saúde regar essa semente para que floresça em bem-estar concreto.






















