No Dia Mundial Contra o Câncer, celebrado em 4 de fevereiro, ecoa uma mensagem clara e urgente: embora mais pessoas se curem hoje, o número de novos casos continua alto. Segundo o relatório “I numeri del cancro in Italia 2025” da Associazione Italiana di Oncologia Medica (Aiom), estima-se que haja cerca de 390 mil novas diagnósticos de câncer na Itália em 2025. É um número que pesa como chuva na janela; lembra que ainda precisamos trabalhar para transformar o solo do problema.
Francesco Schittulli, presidente nacional da Lega Italiana per la Lotta contro i Tumori (Lilt), reforça que “um tumor em três poderia ser evitado” — um apelo que coloca a prevenção no centro da estratégia nacional. Os avanços científicos e terapêuticos estão salvando vidas e elevando as taxas de sobrevida a cinco anos. A Itália, ressalta o relatório, apresenta uma mortalidade oncológica inferior à média europeia, com destaque para os cânceres de mama, cólon-retal e pulmão. Esse resultado nasce da combinação entre tratamentos mais eficazes e o impacto real dos programas de rastreamento e diagnóstico precoce.
Mesmo assim, a paisagem não é homogênea: persistem desigualdades regionais e sociais que exigem atenção. A prevenção não é apenas uma campanha, é uma colheita de hábitos diários — alimentação, atividade física, abandono do tabaco, adesão aos exames de rastreamento e vacinação quando indicada — que rende frutos ao longo do tempo. Cuidar da saúde é regar o jardim do corpo para minimizar o risco de que a erva daninha do câncer tome conta.
Como observador do cotidiano e das estações, vejo a prevenção como um ritmo, quase uma respiração da comunidade: pequenas ações cotidianas sinalizam grande diferença no longo prazo. Programas de rastreamento e políticas públicas que ampliem o acesso ao diagnóstico precoce são as raízes profundas que permitem à sociedade florescer com menos doença e mais bem-estar.
Olhando para quem enfrenta o câncer, a mensagem também precisa ser de esperança prática: a combinação entre terapias modernas, detecção precoce e apoio social faz com que mais pessoas vivam mais e melhor após o diagnóstico. É um inverno que, para muitos, já começou a dar sinais de primavera.
Portanto, neste Dia Mundial Contra o Câncer, o convite é duplo: reconhecer o mérito dos progressos científicos e, ao mesmo tempo, redobrar o compromisso com a prevenção e a equidade no acesso aos cuidados. A luta é coletiva — uma paisagem que se transforma quando cuidamos da terra juntos.






















