Roma — O ministro da Saúde, Roberto Schillaci, voltou a enfatizar que a responsabilidade pelas listas de espera no sistema de saúde recai sobre as empresas de saúde e as Regiões. Em um balanço sobre as fiscalizações realizadas, Schillaci destacou o papel dos controles dos Carabinieri del NAS na verificação do funcionamento dos serviços e na detecção de irregularidades que afetam a respiração cotidiana do atendimento médico.
Segundo o ministro, as inspeções foram iniciadas por determinação sua em 2023 e, ao longo de três anos, somaram cerca de 8.000 controles focados no funcionamento dos serviços, nos volumes de intramoenia e no recurso a profissionais avulsos ou “gettonisti”. Dessas verificações, emergiram aproximadamente 1.700 casos que foram remetidos às autoridades administrativas ou judiciais.
Em 2025, a atividade de vigilância intensificou-se: foram contabilizados 1.930 controles voltados à prestação de serviços especializados, para confirmar o correto funcionamento dos sistemas de marcação de consultas, da gestão das agendas e da oferta em intramoenia. As inspeções revelaram irregularidades variadas, como acessos abusivos aos sistemas de agendamento com alteração ilícita de agendas e agendas fechadas devido a mau funcionamento dos sistemas informáticos.
Particular atenção foi dada à intramoenia, onde os auditores registraram mais de 900 criticidades, muitas delas relacionadas à gestão das marcações e a volumes de atividade em intramoenia superiores a 50% do que deveria ser garantido pelo Serviço Nacional de Saúde. Estes dados pintam um quadro em que a colheita de hábitos organizacionais — das rotinas de marcação às práticas de oferta de consultas — precisa ser revista para restaurar a confiança do utente.
Schillaci sublinhou que os números não são meros relatórios frios, mas sinais de um corpo vivo que mostra sintomas: atrasos, agendas manipuladas e desigualdades de acesso. Para ele, a solução exige responsabilidade direta das estruturas locais — as empresas sanitárias e as Regiões — e uma resposta coordenada para devolver ao cidadão a previsibilidade e a qualidade do cuidado.
Enquanto as investigações continuam, a mensagem do ministro soa como um chamado à poda necessária: cortar práticas inadequadas para permitir que a árvore do sistema de saúde recupere nutrientes e cresça mais equilibrada. É um convite a restaurar o tempo interno do serviço, onde a agenda do paciente volte a ser prioridade e não peça de um xadrez administrativo.
Para quem vive o dia a dia do atendimento, essas ações dos Carabinieri del NAS oferecem um mapa claro de intervenções: proteção contra acessos indevidos, fortalecimento dos sistemas informáticos de marcação e fiscalização dos volumes de atividade fora do contrato público. Só assim — na leitura sensível dos sinais e na atuação firme das autoridades competentes — será possível transformar a paisagem das listas de espera em algo mais previsível e humano.






















