TORINO, 05 de fevereiro de 2026 — Uma investigação coordenada pelo Departamento de Ciências da Saúde Pública e Pediatria da Universidade de Turim revela que quase um adulto em cada dois na Itália apresenta algum nível de hesitação vacinal. Publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Europe, o estudo descreve um fenómeno complexo e heterogéneo, moldado por fatores demográficos, experiências pessoais, orientações políticas e religiosas, e pelo grau de confiança nas instituições e nos sistemas de saúde.
Os resultados sublinham a urgência de dispor de dados mais granulares para conceber estratégias de prevenção verdadeiramente inclusivas e direcionadas. Em palavras de Fabrizio Bert, professor e diretor do departamento, «a hesitação vacinal continua a ser um dos principais desafios para os programas de imunização e para a proteção da saúde pública». Bert acrescenta que, hoje, a hesitação se relaciona menos com temores diretos sobre a segurança das vacinas e mais com a dificuldade de comunicar de forma eficaz o valor da imunização na vida quotidiana.
Do ponto de vista prático, o estudo sugere que a simples oferta de informação técnica não basta. É preciso cultivar uma linguagem que toque os ritmos do quotidiano das pessoas, conectar a mensagem às suas experiências e às suas preocupações — como quem semeia confiança num terreno que foi, durante algum tempo, árido. A comunicação precisa ser conduzida por vozes locais e figuras de referência — profissionais de saúde de proximidade, líderes comunitários e atores sociais — que podem traduzir ciência em cuidado acessível.
Os autores destacam também que a hesitação não é homogénea: varia conforme a idade, o género, o nível socioeconómico e as vivências pessoais com o sistema de saúde. Essa heterogeneidade pede intervenções sob medida — como a prática de jardinagem ajustada a cada solo: algumas áreas exigem rega frequente, outras precisão de sombra e nutrição distinta. Em linguagem de bem-estar, é a colheita de hábitos que deve ser pensada de forma local e sensível.
Para a saúde pública, o desafio é duplo: reforçar a confiança institucional e, ao mesmo tempo, redesenhar a narrativa sobre imunização. Em vez de apenas listar benefícios epidemiológicos, torna-se necessário conectar a proteção individual ao bem-estar coletivo: explicar como a vacinação preserva a respiração tranquila das comunidades, reduz a ansiedade do dia a dia e sustenta as rotinas — desde a escola das crianças até o trabalho dos mais velhos.
Como observador atento das interseções entre clima, estilo de vida e saúde, vejo nesta descoberta um convite para cuidar não só da infraestrutura dos serviços, mas também do clima social que os envolve. A hesitação vacinal é, em parte, um reflexo do tempo interno do corpo e da cidade: quando a confiança diminui, a recepção à prevenção torna-se mais fria. Cultivar confiança requer escuta ativa, clareza e presenças confiáveis.
À medida que formuladores de políticas, gestores de saúde e comunicadores planejam intervenções, o recado do estudo é claro: é preciso mais granularidade, mais diálogo e mais proximidade. Só assim poderá florescer uma imunização efetiva que respeite as diferenças e fortaleça, com sensibilidade, os laços entre ciência e vida quotidiana.






















