Como uma peça inesperada no motor da economia cultural que girou em torno da abertura dos Jogos de Inverno Milano-Cortina 2026, Snoop Dogg transformou dois dias oficiais de trabalho em um pequeno roteiro entre tradição popular e fast food. A presença do rapper nos arredores de Milão, como inviato da americana NBC, foi registrada em encontros que contrastaram com os palcos institucionais e o brilho das cerimônias.
Na tarde de 3 de fevereiro, distante das vitrines e dos tapetes vermelhos, Snoop Dogg desembarcou na histórica Balera dell’Ortica. Acompanhado pelo ator Mario Lopez, o artista buscava autenticidade para as filmagens de seu programa. Marina Di Furia, proprietária do espaço, descreveu o momento como uma ponte entre mundos: o rapper jogou bocce com o senhor Antonio, pai da dona, e com Max, coordenador da bocciofila. Entre um lance e outro, degustou um aperitivo simples — bruschetta, vinho tinto e o tradicional gnocco fritto feito na hora — numa cena que ressaltou a convivência entre gerações e a economia da experiência local.
No dia seguinte, 4 de fevereiro, a agenda oficial levava Snoop a Gallarate, onde atuou como portador da Fiamma Olimpica. Em praça Libertà, envolto em uma pelliccia vistosa com as cores da bandeira americana e com bandana, o artista entregou a tocha ao chef estrelado Davide Oldani. A cerimônia foi breve; o comboio seguia para Milão e a expectativa era o retorno imediato antes da cerimônia de abertura em San Siro. Foi então que o roteiro oficial ganhou um desvio memorável.
Fome e proximidade detonaram a decisão: ao avistar um McDonald’s na viale Milano, Snoop pediu para a escolta parar. O que muitos imaginaram ser um plano de marketing ou uma encenação logo se revelou real quando o rapper entrou no restaurante e pediu um hambúrguer com batatas como qualquer cliente. Vídeos feitos por presentes — alguns postados no TikTok e amplificados por veículos locais e pelo Corriere della Sera — confirmaram a identidade da estrela e espalharam imagens que misturam o glamour olímpico com a normalidade do consumo de massa.
Esses episódios, além do folclore das celebridades, têm implicações práticas para a percepção do evento: mostram como a marca Olímpica pode acelerar tendências locais e ao mesmo tempo ser calibrada pela autenticidade do cotidiano. Em termos de imagem e turismo, a passagem de Snoop Dogg por uma balera tradicional e por um drive-thru de província é emblemática — como uma engenharia de políticas culturais que combina alto desempenho e apelo de massa, abrindo canais inesperados para valorizar territórios e pequenos negócios.
Para estrategistas e stakeholders, a lição é clara: a economia da experiência requer flexibilidade de rota e atenção à microcultura local. Em um evento global que funciona como um motor de projeção internacional, momentos espontâneos como esse funcionam como freios e aceleradores ao mesmo tempo, recalibrando narrativas e gerando retornos simbólicos e práticos.






















