Por Marco Severini — Em um movimento que combina protocolo e simbolismo diplomático, o vice‑presidente dos Estados Unidos, JD Vance, aterrissou na manhã desta quinta‑feira no aeroporto de Malpensa. Acompanhado pela esposa Usha, Vance foi imediatamente prelevado na pista pelo contingente do Secret Service, enquanto a área do terminal permanecia fortemente securitizada em preparação ao traslado.
O aparato de segurança montado no aeroporto refletiu a natureza do deslocamento: um cortejo motorizado que o conduzirá até o Sheraton di Gallarate, ponto de parada antes do deslocamento oficial à cidade de Milano, onde participará da cerimônia de abertura dos Jogos de Inverno Milano‑Cortina 2026. As equipes locais fecharam rotas e controlaram o perímetro, medidas padrão diante de uma visita de tão alto nível.
A presença de Vance à solenidade não é isolada: a delegação norte‑americana é composta por várias personalidades políticas e esportivas. Entre os nomes confirmados estão o secretário de Estado Marco Rubio — que chegou pouco antes do vice‑presidente a Malpensa — e o embaixador Fertitta. A comitiva também inclui ex‑atletas medalhistas olímpicos, como as irmãs do hóquei Jocelyne Lamoureux‑Davidson e Monique Lamoureux‑Morando, o patinador de velocidade Apolo Ohno e o campeão de patinação artística Evan Lysacek.
Do ponto de vista geopolítico, a escolha de uma delegação liderada pelo vice‑presidente — e não pelo presidente — é um gesto calculado. Em termos de diplomacia pública, é um movimento que reforça a presença americana no palco europeu sem elevar a visita ao nível mais alto do Executivo, equilibrando sinais políticos e práticos. Num tabuleiro de xadrez internacional, trata‑se de um lance que projeta compromisso e visibilidade, sem deslocar demais recursos executivos centrais.
Os Jogos de Milano‑Cortina são, além do espetáculo esportivo, um espaço de arquitetura simbólica das alianças contemporâneas: cerimônias, encontros bilaterais e encontros informais tornam o evento um mosaico de influências e oportunidades diplomáticas. A chegada de figuras como Vance e Rubio é indicativa da intenção dos Estados Unidos de consolidar laços culturais e políticos com a Itália e com parceiros europeus, reforçando alicerces que, embora aparentemente estáveis, exigem atenção constante.
Dentro da rotina protocolar, após o desembarque e o traslado ao hotel, a delegação seguirá para os compromissos oficiais em Milão, incluindo a participação na abertura. Os ex‑atletas presentes cumprem papel estratégico: além do valor simbólico, funcionam como embaixadores do soft power americano, atores que somam narrativa esportiva à diplomacia.
Observadores europeus apreciarão — nos próximos dias — como a presença americana se traduzirá em encontros bilaterais e em posicionamentos públicos sobre temas que saem dos pódios e entram nas arenas da segurança, economia e cultura. Em suma, a chegada de JD Vance a Malpensa é mais do que um evento logístico: é um movimento tático no mapa das influências que desenham a tectônica de poder contemporânea.






















