Por Chiara Lombardi — A Galleria Nazionale d’Arte Moderna e Contemporanea de Roma (Gnamc) recebeu a apresentação do volume Cy Twombly, publicado pela Electa com o apoio do grupo de engenharia e tecnologia Maire. A edição, em formato de cofanetto com três livros, desenha um retrato cultural e crítico do período romano do pintor norte-americano Edwin Parker “Cy Twombly Jr.” e do seu vínculo quase simbiótico com a cidade eterna.
O primeiro volume reúne ensaios fundamentais e hoje raros de Roland Barthes, precedidos por um texto introdutório de Andrea Cortellessa — um convite para ler a obra de Twombly como se fosse um roteiro íntimo, um espelho do nosso tempo em que traço e memória se sobrepõem. O segundo livro traz um escrito pouco conhecido de Fabio Mauri sobre a Roma dos anos 1960, acompanhado por depoimentos e imagens de época que ajudam a compor o cenário cultural da cidade que marcou o artista.
O terceiro volume compila quatro ensaios críticos assinados por Renata Cristina Mazzantini, Nicola Del Roscio, Mariastella Margozzi e Stefano Marson. As contribuições exploram o relacionamento entre Twombly e a Itália, a presença de suas obras na coleção da Galleria e as recentes doações feitas pela Cy Twombly Foundation.
O projeto editorial surge em ocasião das três doações da Cy Twombly Foundation ao museu, que resultaram na incorporação de doze novas obras à coleção permanente, na inauguração de uma sala dedicada ao artista e no financiamento da requalificação do laboratório de restauro. Além disso, a Foundation patrocinou um curso internacional de pós-graduação sobre conservação de obras contemporâneas em papel — ambos dedicados a Twombly. É um gesto institucional que reconfigura o acervo e, sobretudo, sustenta o futuro da preservação do patrimônio contemporâneo.
Na mesa de apresentação estiveram presentes Renata Cristina Mazzantini (diretora da Gnamc); Carlo Nicolais (vice-presidente de Relações Externas e Sustentabilidade da Maire); Eleonora Di Erasmo (managing director da Cy Twombly Foundation); Rosanna Cappelli (administradora delegada da Electa); e Fabrizio Di Amato (presidente e fundador da Maire), com moderação do jornalista Stefano Salis. A obra, bilíngue em italiano e inglês, dialoga com leitores e especialistas, propondo um reframe da realidade artística de meados do século XX.
Como analista cultural, não posso deixar de ver neste lançamento um pequeno roteiro oculto: Twombly não apenas pintou em Roma — ele leu a cidade como se fosse uma película antiga, recortando memórias, grafismos e ruínas em superfícies que exigem leituras sensoriais. O cofanetto funciona, portanto, como uma câmara de revisão da relação entre artista e cidade, um eco cultural que confirma por que certas obras permanecem, mais do que objetos, testemunhas afetivas de um tempo.
Para quem acompanha a interseção entre arte, memória e preservação, a edição é leitura obrigatória. Mais que uma publicação, o projeto é um gesto curatorial e institucional que desenha novos horizontes para o estudo de Cy Twombly em Roma e para a prática de conservação contemporânea.






















