Em Roma, a preservação da saúde bucal torna-se peça chave para evitar complicações sérias em pessoas com doenças hemorrágicas congênitas (MEC). No encontro ‘Odontoiatria speciale nel soggetto fragile’, promovido pela Sioh (Società italiana di odontostomatologia per l’handicap), em parceria com o CNEL e a Fedemo (Federação das associações de hemofílicos), especialistas discutiram como a odontologia preventiva pode reduzir sangramentos que, se não tratados, podem evoluir para quadros que exigem cuidados intensivos.
Como quem caminha por uma praça quando a cidade respira manhã adentro, a conversa seguiu tranquila mas determinada: é necessário inserir a odontologia especial no Plano Nacional de Prevenção. Essa inclusão não é um capricho administrativo, é uma forma de semear segurança para pacientes vulneráveis — um gesto que protege o corpo como uma cobertura de árvores protege o solo da chuva.
O encontro em Roma foi um prosseguimento do caminho iniciado em outubro passado, também no CNEL, pelos mesmos três promotores. O objetivo prático e simbólico é claro: criar um Tavolo técnico nacional que se dedique exclusivamente à prevenção e aos cuidados odontológicos dos sujeitos frágeis. Essa mesa técnica seria um espaço para padronizar protocolos, compartilhar boas práticas e integrar profissionais de saúde, associações de pacientes e instituições públicas.
Do ponto de vista clínico, a ênfase recai na prevenção de sangramentos durante procedimentos odontológicos — um cuidado que, quando bem coordenado, evita desfechos graves e a necessidade de intervenções hospitalares intensivas. Em linguagem acessível, trata-se de cultivar rotinas seguras: avaliação detalhada do histórico hemorrágico, planejamento prévio das intervenções, uso de terapêuticas hemostáticas quando necessário e capacitação contínua dos profissionais.
Para mim, que observo o cotidiano com um olhar atento ao clima das cidades e ao ritmo dos corpos, isso soa como alinhar o tempo interno do paciente com as estações do cuidado: preparar, proteger e colher os frutos de uma prevenção bem feita. A iniciativa em Roma não só reforça a centralidade da odontologia na qualidade de vida, como também dá voz às associações que representam pacientes com MEC, transformando a participação comunitária em prática clínica e política pública.
Ao final, permanece a sensação de um caminho que se abre: um tavolo técnico nacional capaz de semear mudanças e cultivar segurança para quem vive com fragilidade. É uma pequena revolução silenciosa, feita de protocolos, empatia e coordenação — tão necessária quanto a respiração pausada de uma cidade que aprende a cuidar de todos os seus ritmos.






















