Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma corrida contra o relógio na véspera de um dos confrontos mais esperados do torneio, a seleção feminina da Finlândia de hóquei no gelo confirmou que quatro jogadoras foram contaminadas pelo norovírus, altamente contagioso. O episódio obrigou a equipe a cancelar os treinos e compromissos com a imprensa como medida de precaução, poucas horas antes da estreia contra o Canadá, em partida válida por Milano Cortina 2026.
Segundo a delegação, as atletas afetadas e as companheiras de quarto foram imediatamente isoladas e os ambientes utilizados pela equipe passaram por processo de desinfecção. A prioridade das autoridades médicas da equipe é limitar a propagação do agente viral, que tipicamente provoca quadros de gastroenterite aguda e se espalha com facilidade em ambientes fechados e de convivência intensa — realidade comum em alojamentos e vilas olímpicas.
Além do componente sanitário, o incidente traz à tona um problema prático e regulatório: a necessidade de a seleção alinhar pelo menos 17 jogadoras em cada partida, incluindo dois goleiros. Em razão disso, a federação finlandesa iniciou contatos com a Federação Internacional de hóquei no gelo (IIHF) para avaliar medidas excepcionais ou eventuais autorizações que possam ser concedidas diante do surto. Fontes oficiais admitem que adiar o jogo seria uma solução de difícil implementação, tanto pela logística do torneio quanto pelos calendários apertados das delegações.
O treinador Tero Lehterä, apesar da adversidade, manteve tom sereno e pragmático. Em declarações repassadas pela equipe, Lehterä afirmou que o objetivo da seleção permanece inalterado e que a comissão técnica trabalha para reorganizar o elenco e garantir condições de competição. A postura do técnico reflete, historicamente, a cultura das equipes nórdicas: foco em planejamento, disciplina e resiliência diante de imprevistos.
Este episódio oferece uma leitura mais ampla sobre como grandes eventos esportivos — jogos olímpicos e outros torneios internacionais — são vulneráveis a fatores de saúde pública. A concentração de atletas, suporte técnico e profissionais de imprensa em ambientes restritos faz dessas competições cenários propícios para surtos que, além de afetarem o desempenho esportivo, testam protocolos e a capacidade de resposta das organizações responsáveis.
Para a Finlândia, tradicionalmente competitiva no hóquei feminino e vista como modelo de formação e continuidade, o teste neste momento transcende a vitória imediata: trata-se de gerir uma situação que pode impactar a trajetória do torneio e a imagem institucional do país. A forma como a comissão técnica e a federação lidarem com o equilíbrio entre saúde pública e integridade esportiva será observada com atenção por colegas e adversários.
Ao público e aos seguidores do esporte, resta acompanhar as atualizações sobre a condição das atletas, as decisões da IIHF e a conformação final do elenco que entrará em cena contra o Canadá. Em torneios curtos, cada escolha de gestão — médica, técnica ou administrativa — carrega um peso simbólico e prático para o desenrolar da competição e para a memória coletiva que a história do esporte irá construir.






















