Por Otávio Marchesini, Espresso Italia — Em uma cerimônia discreta e de poucos convidados, o atacante do Udinese, Nicolò Zaniolo, e Sara Scaperrotta disseram “sim” na quarta‑feira, 4 de fevereiro. As imagens compartilhadas nas redes sociais mostram uma celebração contida — a cobertura do bolo trazia a inscrição “Just married” — e confirmam um movimento que extrapola o universo esportivo: um atleta em posição central da mídia redefinindo sua relação com a família e a visibilidade pública.
A proposta havia sido tornada pública em março de 2025, quando Zaniolo se ajoelhou e presenteou Sara com um anel de diamantes, diante da vista sobre o Ponte Vecchio, em Florença. Naquela ocasião, as fotos do pedido foram acompanhadas por palavras simples e definitivas: “Agora e para sempre”. O gesto, ritualizado e ao mesmo tempo íntimo, reuniu elementos clássicos do imaginário sentimental europeu — a cidade histórica, o anel, o abraço — colocados em contraste com a carreira profissional intensa do jogador.
O enlace formaliza uma história que se estende desde 2018. Nicolò Zaniolo e Sara Scaperrotta são pais de Tommaso, nascido no verão de 2021; passaram por afastamentos e reconciliações, e anunciaram recentemente que esperam o segundo filho. “Presto saremo in 4 e l’amore sarà ancora più grande” foi a mensagem de anúncio da nova gravidez, acompanhada por fotos em preto e branco que ressaltam a ideia de continuidade e intimidade familiar.
Como analista atento à dimensão social do esporte, vejo neste matrimônio algo além do ato pessoal: há uma construção de imagem pública que dialoga com expectativas e memórias coletivas. Jogadores como Zaniolo acumulam, além de funções atléticas, papéis simbólicos — representam cidades, modelos de paternidade e, frequentemente, vetores de consumo cultural. A escolha por uma recepção discreta sugere um gesto deliberado de proteção da esfera privada, ao mesmo tempo em que a partilha nas redes confirma a inevitável exposição contemporânea.
Do ponto de vista do clube e do mercado, o casamento e a ampliação da família também reverberam: estabilidade emocional é recorrentemente valorizada por treinadores e diretorias como fator de desempenho; para patrocinadores e mídia, as narrativas familiares ampliam plataformas de engajamento. Resta acompanhar como essa nova etapa influenciará a carreira de Nicolò Zaniolo no Udinese e sua relação com a torcida, que, em contextos italianos, tende a incorporar ídolos em relatos mais complexos de pertencimento regional e nacional.
O casamento de Zaniolo e Sara não foi um espetáculo midiático, mas uma afirmação — de compromisso pessoal e de construção de uma experiência familiar pública, medida e pensada. Em tempos nos quais a vida privada dos atletas é moeda de atenção, a opção pelo íntimo e pelo gesto simbólico encontrada na proposta em Florença diz muito sobre as prioridades de uma geração que busca conciliar exposição e proteção, carreira e permanência.
Imagens do casal e do bolo, publicadas por Nicolò Zaniolo nas redes sociais, selam o momento. Resta à torcida acompanhar não apenas os próximos jogos, mas a cena humana que se desenha fora das quatro linhas: uma família que cresce, um jogador que assume papéis além do gramado, e um país que continua a observar no esporte um espelho de suas tradições e transformações.






















