Por Alessandro Vittorio Romano — A discussão sobre água com gás e emagrecimento voltou a borbulhar após a divulgação de um estudo japonês publicado no British Journal of Nutrition, citado pelo infectologista Matteo Bassetti. A pesquisa reacendeu esperanças de que as famosas “bolhas” possam dar um empurrãozinho às tentativas de perder peso. Mas, como em uma paisagem italiana que se revela com luzes e sombras, a realidade é mais complexa do que um rótulo brilhante.
O imunologista Mauro Minelli, docente de Nutrição Humana na Lum, lembra que afirmar que o dióxido de carbono (CO2) seja um “aliado universal” do metabolismo é perigoso. Para ele, é essencial considerar a complexidade do microbiota intestinal e as evidências científicas prévias, muitas vezes contrárias a uma conclusão apressada.
Minelli explica que a introdução constante de gás exógeno pode agravar quadros de supercrescimento bacteriano do intestino delgado, conhecido como SIBO. A pressão mecânica das bolhas sobre as paredes intestinais não é neutra: “em situações de desequilíbrio microbiano, a distensão favorece fermentação e pode contribuir para a piora da permeabilidade intestinal (o chamado leaky gut), afetando as junções da mucosa”, observa o especialista.
Há ainda o aspecto hormonal. Estudos, entre eles pesquisas publicadas em Obesity Research & Clinical Practice, indicam que a exposição ao CO2 pode estimular a secreção de grelina, o hormônio da fome, o que, a longo prazo, poderia contrariar o objetivo de reduzir a ingestão calórica.
Num tom mais equilibrado, Minelli sugere que a água frizzante — usada de forma esporádica e dirigida — pode ter utilidade em casos específicos, como em pessoas com hipocloridria documentada ou dificuldades digestivas mecânicas, em que uma leve estimulação das paredes gástricas ajuda a iniciar a digestão. Ainda assim, generalizar seu consumo como um “elixir” despreza os milhões que convivem com a síndrome do intestino irritável ou inflamações crônicas de baixo grau, para os quais a distensão abdominal pode ser um gatilho de desconforto.
Como observador atento das rotinas e dos ritmos — da “respiração da cidade” às pequenas colheitas de hábitos que nutrimos — prefiro ver a questão como um convite à prudência: a água com gás pode ser uma folha no vento que ajuda a direcionar a vela, mas não substitui o leme de uma dieta equilibrada, do sono reparador e do movimento regular.
Em suma, se você prova a estratégia das bolhas, faça-o com atenção ao seu corpo. Observe alterações no conforto abdominal, na saciedade e, se houver história de distúrbios intestinais, consulte um especialista antes de incorporar o hábito de forma contínua. O bem-estar é uma paisagem cultivada ao longo do tempo; as bolhas são apenas um detalhe brilhante nesse cenário.






















