Por Alessandro Vittorio Romano — Em um gesto que mistura responsabilidade pública e sensibilidade humana, a deputada Simona Loizzo (Lega) defendeu a criação de um tavolo tecnico no âmbito do Ministério da Saúde para redesenhar as diretrizes de tratamento odontológico destinadas aos pazienti fragili. A proposta foi apresentada durante o encontro ‘Odontoiatria speciale nel soggetto fragile’, realizado na sala Refettorio da Câmara dos Deputados, em Roma.
O congresso, promovido pela Sioh — Società italiana di odontostomatologia per l’handicap, em parceria com a Fedemo — Federazione delle associazioni emofilici, e o Cnel, reuniu profissionais, representantes de associações de pacientes e parlamentares. Foi ali, entre vozes técnicas e relatos humanos, que surgiu a ideia de construir um espaço institucional onde a administração pública, os cuidadores, os especialistas e os próprios pacientes possam sentar-se à mesma mesa para desenhar políticas mais justas e eficazes.
Como quem observa uma paisagem antes de plantar, Loizzo colocou em pauta a necessidade de inserir a Odontoiatria speciale no Piano nazionale della prevenzione (Pnp). Não se trata apenas de um ajuste técnico: é um convite para que a prevenção e os cuidados odontológicos façam parte do ciclo de proteção à saúde daqueles que, por condições de base, deficiências ou doenças crônicas, vivem em maior vulnerabilidade.
Ao propor o tavolo tecnico, a parlamentar sugere uma arquitetura colaborativa — uma espécie de terreiro comum onde se colherão ideias, experiências e prioridades. Essa mesa deve unir administradores, profissionais de saúde bucal, associações de pacientes e legisladores, com o objetivo de atualizar protocolos, uniformizar critérios de acesso e promover ações de prevenção específicas para pacientes frágeis.
Como observador atento das estações da vida, vejo nessa iniciativa uma semelhança com a prática da agricultura: preparar o solo antes de semear. A saúde bucal dos mais frágeis precisa de um terreno fértil — políticas integradas, profissionais capacitados e caminhos claros de acesso. Somente assim a colheita, que é o bem-estar, será generosa.
O encontro em Roma também serviu para reforçar a importância do diálogo contínuo entre instituições e sociedade civil. As associações presentes sublinharam que muitos pacientes enfrentam barreiras práticas — desde dificuldades de mobilidade até lacunas de conhecimento sobre cuidados preventivos — que tornam imprescindível uma ação coordenada a nível nacional.
Em suma, a proposta de Simona Loizzo ecoa como um convite para transformar boas intenções em práticas sustentáveis: inserir a odontologia especial no Piano nazionale della prevenzione e instituir um tavolo tecnico nacional dedicado à prevenção e às cure odontoiatriche dos sujeitos frágeis. É um movimento para que a respiração da cidade e o tempo interno do corpo encontrem, juntos, caminhos de cuidado mais humanos e eficazes.
Este é um chamado para que a política e a prática se encontrem, e para que a proteção da saúde bucal dos mais vulneráveis deixe de ser promessa e se torne rotina de cuidado.





















