Por Alessandro Vittorio Romano – Espresso Italia
Há um ritmo interno que governa nossas horas como uma pequena batida do coração: o cronotipo. Um novo estudo sobre mais de 322.000 pessoas de meia-idade, realizado com dados da UK Biobank, revela que aqueles com tendência natural a ficar acordados até tarde — as verdadeiras corujas da noite — apresentam sinais mais desfavoráveis de saúde cardíaca e um risco aumentado de eventos cardiovasculares.
Segundo a análise conduzida por Sina Kianersi, pesquisadora da Harvard Medical School, indivíduos notívagos tiveram probabilidade 79% maior de desenvolver uma saúde cardiovascular precária em comparação com quem segue rotinas mais matinais. Além disso, o risco de infarto ou AVC foi 16% mais alto nesses participantes do que em pessoas matutinas ou com horários intermediários de sono e vigília.
O estudo não fala apenas de relógios: ele aponta para hábitos que se enraízam como estações impostas ao corpo. Os diferentes cronotipos influenciam os oito pilares que a pesquisa considera centrais para a saúde do coração: dieta equilibrada, atividade física, sono adequado e regular, peso corporal, níveis de colesterol, glicemia, pressão arterial e outras práticas de vida. As corujas da noite demonstraram padrões piores na maioria desses fatores.
Como guardo a rua silenciosa de um vilarejo ao anoitecer na memória, também vejo na vida cotidiana como a cidade respira diferente à noite. Trabalhos em turnos, telas tardias, jantares adiantados para poucos, e o café que se torna um falso aliado: tudo isso empurra o corpo para fora de seu compasso natural. O resultado, diz a pesquisa, é um terreno fértil para o desgaste cardiovascular.
Importante: a investigação é observacional e não determina causalidade direta, mas amplia o mapa do que chamamos de “tempo interno do corpo” e sua relação com a saúde. Ajustar rotinas — aproximando-se de horários mais regulares de sono, melhorar a alimentação, manter a atividade física e controlar peso e pressão — aparece como colheita de hábitos que pode reduzir riscos.
Para quem vive na respiração lenta das cidades italianas, essa mensagem chega como um convite gentil: reavaliar a intimidade com a noite. Pequenas mudanças — um jantar mais cedo, limitar luzes azuis antes de dormir, caminhar pela manhã — são sementes que podem transformar o inverno da saúde em uma primavera mais serena para o coração.
Em resumo, o estudo reforça que o relógio do corpo importa. As escolhas noturnas não são apenas uma preferência de estilo: elas se refletem nos números do coração. Ouvir o próprio ritmo, mas com atenção, é aprender a cuidar das raízes do bem-estar.
Fonte: Estudo com dados da UK Biobank e análise liderada por Sina Kianersi (Harvard Medical School).






















